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Catequese e espiritualidade em família com cinema: “O Natal de Ângela”

Que a catequese pode ser vivida em casa, com os pais, não é uma novidade ditada pelo contexto da pandemia. É um desejo que, em tempos “normais”, nem sempre é concretizado, mas agora este tempo recorda a máxima «a necessidade aguça o engenho”, para não se renunciar totalmente ao percurso de iniciação cristã das crianças.

Ser protagonista da catequese em família significa, para os adultos, assumirem o papel de guias capazes de palavra e escuta. Para facilitar esta tarefa, propomos a linguagem cinematográfica como fonte de correspondência e consonância com o Evangelho e a espiritualidade cristã.

A casa e a família são lugares de intimidade; que lugar melhor haverá para falar de espiritualidade. O propósito do esquema que se propõe é o de ativar uma vida interior de pais e filhos em comunhão com Jesus, ao mesmo tempo que se procuram suscitar palavras e gestos igualmente positivas para a vida em família.

Em torno de um filme pode criar-se um oásis de paz entre filhos e pais, num momento que se deseja simples e, ao mesmo tempo, conscientemente cuidado.

“O Natal de Ângela”, disponível em português na Netflix, é um filme de animação breve e intenso, que pode ser visto todo o ano. Não é o clássico repleto de luzes, presentes, decorações, canções, renas, etc. Pelo contrário, é sóbrio.

O cenário, Limerick, na Irlanda, em 1914, conduz o espetador ao que significa acreditar em Jesus, estimulando a abrir espaço no coração à sua vinda e a renovar sempre essa adesão através da fé. Ângela e o seu desejo de aquecer Jesus são um convite a acreditar na ternura, a ser-se pequeno com os pequenos, a fazer do amor a moeda do mundo.



Imagem D.R.


Após o visionamento, eis algumas pistas para falar em família.

A fé precede-nos
No filme há uma voz que narra a história da avó e da mãe Ângela. Quem veio antes de nós já fez a experiência de Jesus, e nós podemos encontrar força e exemplo na sua maneira de acreditar em Jesus. Ser-se orgulhosos da beleza da sua fé. Fazer memória das suas histórias e das palavras. Temos alguém na nossa família que acreditou antes de nós em Jesus?

Ter boas ideias
Ângela interroga a sua inteligência, criatividade, ternura, e sente que Jesus pode ter frio. O gesto de Ângela é muito generativo porque sincero e bom, produzindo boas consequências. Da sua ideia decorrem coisas belas. Alguém pensa até num milagre. Alguém lhe oferece uma moeda, que ela oferece a outra pessoa que na noite de Natal poderá comer alguma coisa. Quando tivemos boas ideias que deixaram um lastro tão longo? Procuremos contá-las.

Jesus também é meu, mas não é só meu
Ângela quer envolver Jesus nas mantas como um embrulho. Como o seu embrulho! Quer sentir o que se experimenta ao apertá-lo a si, ao fazê-lo sentir-se em segurança, ao levá-lo para sua casa. Jesus é aquele pedaço de “felicidade” que todos queremos, mas Ele é de odos, como é recordado no fim do filme, dizendo-nos que sorri e acolhe o mundo nas suas mãos. Não o posso ter só para mim. Não posso pensar só na minha felicidade. Quando consegui não pensar só em mim? Quando é que somos bem-sucedidos como família?

O debate com os filhos pode acontecer sobre um ou mais destes temas, e pode ser “discutido” também através de uma atividade ou sugestão. Por exemplo, procurando uma fotografia de uma pessoa da nossa família, terna e crente como Ângela, ou sábia, forte e amorosa como a mãe de Ângela. Sejam criativos! A conversa pode também ocorrer durante as refeições em conjunto, com um tema de cada vez, sem isolar a catequese num momento excessivamente esquemático, como se fosse uma “tarefa”. Deixemos que o filme se sedimente bem. Temos pressa? Não!

A conversa pode ser acompanhada por um passo do Evangelho. Pode, por exemplo, ser transcrito numa folha que fica colocada num lugar de passagem opu estratégico da casa. Deixemos que cada um regresse à Palavra com os seus “tempos”. Propomos Mateus 18,1-5, mas a escolha pode ser diferente, caso os pais sintam que há um trecho mais adequado. Estamos no domínio da liberdade!

Quando se sentir que as sugestões do filme já foram suficientemente aprofundadas, propomos juntar a família, talvez sentada num tapete ou junto de uma vela acesa, e tentar recitar esta oração escrita a pensar na animação:

Jesus, vem também à minha casa.
Deixa-nos aquecer também pela nossa minha família.
Traz a ternura também para dentro destas paredes,
e ajuda-nos a aquecermo-nos uns aos outros.
Abre os nossos olhos para quem tem frio,
para quem deseja os nossos abraços,
para as pessoas que precisam dos nossos cuidados.
Ajuda-nos a desejar um coração de ouro como Ângela,
e a partilhar a fé em ti também com outras pessoas.
Não queremos ter-te só para nós.
Mas fica também connosco.
Ámen.

Se sentirmos que esta oração agrada a todos, que aquece o coração, coloquemo-la com uma folhinha debaixo da almofada dos nossos filhos. Deixemo-la aí alguns dias: talvez aqueça a canção de embalar como Ângela aqueceu a de Jesus. E deixemos que as crianças possam rever o filme outras vezes, renovando a mensagem que juntos amassámos como família.









 

In Uffcio Nazionale per le Comunicazioni Sociali (Conferência Episcopal Italiana)
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: "O natal de Ângela")
Publicado em 02.04.2020

 

 

 
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