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Biblioteca Apostólica do Vaticano dedica Agenda de 2021 à «mulher e os livros»

«A mulher e os livros. A mulher como construtora e guardiã das bibliotecas no tempo. A presença da mulher nos tesouros literários e iconográficos da Biblioteca Apostólica do Vaticano»: é com este enquadramento que o cardeal José Tolentino Mendonça, bibliotecário da Santa Igreja Romana, apresenta a Agenda de 2021 da instituição, que pode ser adquirida diretamente através da sua página na internet.

O biblista recorda o comentário de Santo Ambrósio à narrativa bíblica da anunciação, no qual sublinha que «resultou útil a Maria, no seu colóquio com o arcanjo, ter lido antecipadamente o profeta Isaías, em particular o passo em que se diz que uma virgem dará à luz um filho».

Estas palavras, prossegue o cardeal em texto publicado no jornal “L’Osservatore Romano”, ofereceram «ao imaginário artístico ocidental aquele que se tornaria depois um dos elementos mais curiosos e constantes na representação do mistério da incarnação: a presença d eum livro entre as mãos da Mãe de Cristo».

A primeira figuração de «“Maria cum libro” remonta ao século IX, uma inovação medieval que o Renascimento não só acolherá e ampliará, como dela deixará também um legado seguro à modernidade: a Virgem Maria alfabetizada, que manuseia com intimidade os textos e se faz representar não com os utensílios da vida doméstica da aldeia camponesa de Nazaré, mas com aquilo que se tornará um instrumento da fecundação que o cristianismo oferece ao tempo, a biblioteca».

No estudo “O que lia Nossa Senhora? Quase um romance por imagens”, Michele Feo «individualiza, surpreendentemente, mais de quarenta textos em que Maria aparece mergulhada na leitura. Por isso, o importante não é saber que livro Mria estava a ler no decisivo episódio da anunciação. O importante é colher como o livro, nesta cena, funciona já como facilitador de uma experiência espiritual: uma experiência de escuta e de conhecimento que configura o mundo. A começar pelo mundo interior de cada leitor, de cada leitora».

O primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura assinala que «não é possível fazer a história da Biblioteca dos Papas sem iluminar o contributo das mulheres: mulheres escritoras, mulheres artistas, mulheres teólogas, mulheres protagonistas da vida da Igreja, mulheres mecenas, mulheres criadoras, mulheres de ciência e de cultura. E tudo é hoje assim. Basta pensar que mais da metade da comunidade de trabalho que faz funcionar a Biblioteca Apostólica do Vaticano é constituída por mulheres».

A agenda abre com a reflexão do papa Francisco sobre a mulher, seguindo-se «representações de gestos, olhares, sentimentos, textos de mulheres que marcaram a história, a arte, a literatura, ou simplesmente a vida quotidiana, cujos nomes são muito conhecidos ou desconhecidos», observa Claudia Montuschi em artigo publicado também no jornal do Vaticano.

Nas duas versões da agenda (18x25 cm, 20€; 12x17 cm, 14€), que também evoca o escritor Dante, de quem se assinala, em 2021, o sétimo centenário da morte, comparecem «materiais diversos, tipologias iconográficas referentes a várias épocas e culturas, espelho da extraordinária heterogeneidade e infinita riqueza do património da humanidade conservado na Biblioteca e cada dia colocado à disposição, de diversas maneiras, dos estudiosos de todo o mundo».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: L'Osservatore Romano
Imagem: Capa (det.) | D.R.
Publicado em 17.11.2020 | Atualizado em 18.11.2020

 

 

 
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