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Artistas crentes e não crentes celebram a mulher com poesia, prosa canto e música

Crentes e não crentes vão dar rosto e voz para celebrar a mulher, através da poesia, prosa, canto e música, no contexto da Anunciação a Nossa Senhora, que se celebrou liturgicamente a 25 de março, nove meses antes do Natal.

Amélia Muge, Teolinda Gersão, Jorge Wemans, Tozé Brito, Teresa Salgueiro, Lídia Franco, Vicente Jorge Silva e Carlos Alberto Moniz são algumas das personalidades que confirmaram a presença, revela a comunidade da Capela do Rato, em Lisboa, que acolhe a iniciativa, marcada para a próxima quarta-feira, 3 de abril, às 18h30.

O projeto, organizado pela escritora Leonor Xavier, tem como objetivos a «evocação e o encontro em nome da mulher, numa pluralidade de sensibilidades que se encontram para celebrar a condição feminina», explicou hoje o responsável pela comunidade, P. António Martins, ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A sessão, pensada para ter igual número de intervenções masculinas e femininas, 24 no total, lembra o «acontecimento bíblico do Novo Testamento, a anunciação do anjo a Maria, mulher da periferia de Nazaré, simples, ainda jovem, que recebe uma surpresa de Deus para uma missão imprevisível de ser Mãe de Jesus; e ela dá-se por inteiro: “Eis-me aqui para fazer a tua vontade”».



«As nossas principais iniciativas voltadas para o grande público têm sempre a preocupação de trazer a reflexão e partilha de experiências de vida entre crentes e não crentes»



A solenidade litúrgica «tem permitido à Capela do Rato organizar todos os anos um momento celebrativo que reúne pessoas de vários quadrantes, crentes, não crentes, com representação da sociedade civil, política, económica, cultural, para, livremente, cada uma por si, de sua livre iniciativa, com a sua sensibilidade, partilhar um texto, uma poesia, um canto, alguma experiência de vida, em nome de Maria, mas também, a partir de Maria, em nome de todas as mulheres do mundo, da sua luta, da sua resistência, do seu sofrimento, bem como da sua alegria e felicidade».

«Deixamos a cada pessoa a escolha do aspeto que queira valorizar da condição feminina. É uma iniciativa ao livre cuidado de cada um e de cada uma, para evocar o que quiser da mulher. Não queremos controlar as participações, apenas queremos receber a diversidade dos contributos», afirmou o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.

Ao convidar crentes e não crentes, «a comunidade da Capela do Rato quer ser fiel a uma tradição que tem vindo a cumprir, com convicção, com credibilidade»: «As nossas principais iniciativas voltadas para o grande público têm sempre a preocupação de trazer a reflexão e partilha de experiências de vida entre crentes e não crentes».

«Eu partilho da convicção de que o humano é o lugar de encontro comum entre Deus e os seres humanos, e, portanto, o humano, a nossa condição, a nossa luta, a nossa carne, o nosso corpo, a nossa experiência, a condição masculina e feminina, a multiplicidade de sensibilidades e de afetos, é uma ponte de encontro de toda a gente, independentemente da sua dimensão confessional, religiosa. É um ponto de encontro experimental, real, concreto, que nos pode reunir pela causa de Deus e pela causa do humano», assinalou o P. António Martins.



«A mulher tem alguma coisa a acrescentar, pela sua capacidade de resolver conflitos, de estar comprometida no concreto, de cuidar da vida», e por isso deve fazer parte da solução para a «crise que a Igreja está a atravessar»



Num tempo em que se acentua o debate sobre o papel da mulher na Igreja, a comunidade propõe «um gesto programático»: «No planeamento e execução das nossas atividades, procuramos, com sensibilidade e rigor, ter nos diferentes painéis e protagonistas, um número igual de homens e mulheres, para assinalar visivelmente, e de um ponto de vista comprometido, esta paridade e corresponsabilidade».

«Sabemos todos que a questão da mulher é um dos temas urgentes na vida da Igreja, por várias razões. O papa convocou-nos, desde o final de agosto, para uma reflexão de conversão do povo de Deus, e estamos conscientes de que é um processo necessário para libertar a palavra, quer a partir da condição feminina, quer da masculina, quer da diversidade de pessoas», acentuou.

O responsável sustenta que «a mulher tem alguma coisa a acrescentar, pela sua capacidade de resolver conflitos, de estar comprometida no concreto, de cuidar da vida», e por isso deve fazer parte da solução para a «crise que a Igreja está a atravessar».

O P. António Martins defende «um maior lugar da mulher, uma maior corresponsabilidade, uma maior participação no governo das pequenas comunidades, das grandes dioceses ou até do governo geral da Igreja. Há sinais que vão nesse sentido, e a Capela do Rato quer cumprir essa linha, que já vem cumprindo com verdade».


 

Rui Jorge Martins
Imagem: "Retrato de uma jovem mulher" (det.) | Sandro Botticellli | C. 1480-85
Publicado em 29.03.2019

 

 
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