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Arte pode chegar a públicos a quem não chegam os documentos da Igreja

A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Costa Quaresma, que integrou o júri do Prémio Árvore da Vida na 19.ª edição do festival de cinema IndieLisboa, considera que a arte pode chegar a públicos que desconhecem o pensamento e os textos da Igreja católica.

«A arte é muito bonita porque pode chegar onde os documentos da Igreja não chegam. Vendo um filme, cheguei a um documento que a Igreja publicou recentemente. É uma forma de o transmitir a outros públicos, porque há pessoas que não gostam de ler, mas gostam de ir ao cinema», afirmou este domingo ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, após a sessão de entrega dos galardões, que decorreu na Culturgest.

A responsável está convicta de que «é uma mais-valia» ter acesso a modalidades diferentes de introduzir temas relacionados com a mobilidade humana, e acrescenta: «Ter o privilégio de conhecer estes filmes em primeira mão também é muito bom porque ficam contactos para colaborações e ações no futuro».

«Foi uma experiência boa, bonita, nunca tinha participado num festival de cinema. Foi conhecer um mundo novo, o mundo por detrás das câmaras, tomar consciência de toda a preparação, do tempo que leva a construir filmes, e filmes de qualidade. E, depois, todo o ambiente que se vive: o entusiasmo, os diferentes públicos – cada sessão parece trazer o seu público. É um mundo que gostei de conhecer», declarou.



«“Raquel” fala de uma imigrante do Brasil em Portugal, aludindo às quantas viagens perdidas que os migrantes têm de fazer até conseguirem cumprir os seus objetivos de melhorar de vida, de trazer os filhos, de conseguir um melhor emprego»



O Prémio Árvore da Vida, no valor de dois mil euros, é atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura há mais de dez anos no IndieLisboa a uma curta ou longa-metragem de origem portuguesa, a partir dos filmes selecionados pela organização para a secção Competição Nacional.

Ao recordar as palavras e imagens que mais lhe ficaram na memória após as nove longas-metragens e 16 curtas, Eugénia Quaresma destacou que «houve vários géneros de filmes: filmes que foram chamadas de atenção, filmes que trouxeram alguma violência – não física, mas emocional, o que nos faz pensar nos vários tipos de violência que a nossa sociedade tem -, outros falaram de coisas tão corriqueiras como o cozinhar, mas tão nossas, tão humanas e que nos humanizam» ["Comezainas"].

«Levo na memória as paisagens da Amazónia, que me remeteram logo para a exortação “Querida Amazónia”; e levo também aquela que foi a nossa escolha, “Viagem ao Sol”, porque apesar de ter imagens do passado, ajuda-nos a preparar hoje o futuro», assinalou.

Referindo-se ao tema das migrações, presente em vários filmes, a responsável refere que se tratou de «uma agradável surpresa», e evocou algumas das películas: «Houve um filme direcionado para a diáspora portuguesa [“Périphérique Nord”] cruzando os anos 60 com a atualidade, com o testemunho de pessoas que emigraram naquele tempo e outras que o fizeram recentemente, como vivem, que mensagem querem transmitir à nossa sociedade».



«Estamos num tempo em que vamos ter de reconstruir algumas coisas, e temos de caminhar, em conjunto, fazendo coisas novas. Ao ouvir quem andou a partir pedra, quem foi tão resiliente para conseguir trazer um filme à luz do dia, pode ser inspirador para caminhos que queiramos abrir»



«Além deste, a “Viagem ao Sol” toca a temática dos refugiados e do acolhimento. Por seu lado, o filme “Raquel” fala de uma imigrante do Brasil em Portugal, aludindo às quantas viagens perdidas que os migrantes têm de fazer até conseguirem cumprir os seus objetivos de melhorar de vida, de trazer os filhos, de conseguir um melhor emprego. Estes foram alguns daqueles que me marcaram».

Para Eugénia Quaresma, outros filmes exibidos «servirão como ponto de partida para diálogos, porque a diversidade de culturas que retratam pode gerar conversas interessantes. Todos os filmes que tocam a temática da mobilidade humana podem, de alguma forma, servir para criar pontes, gerar debate, gerar encontro».

Como é tradição no IndieLisboa, muitos cineastas de longas-metragens colocam-se à disposição para conversarem com o público após a exibição dos seus filmes: «Tive a oportunidade de escutar alguns realizadores sobre o modo como construíram os seus filmes».

«Isto pode ser inspirador para quem quer construir algo de novo. Estamos num tempo em que vamos ter de reconstruir algumas coisas, e temos de caminhar, em conjunto, fazendo coisas novas. Ao ouvir quem andou a partir pedra, quem foi tão resiliente para conseguir trazer um filme à luz do dia, pode ser inspirador para caminhos que queiramos abrir, porque não está tudo feito», concluiu.




















 

Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 09.05.2022

 

 

 
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