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Arte e catolicismo: «O importante é o respeito mútuo e o diálogo»

A curadora da exposição “De Fernão se fez António”, que esteve patente durante quase um ano, até janeiro, na Antiga Livraria do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, considera que, na relação entre arte e catolicismo, «o importante é o respeito mútuo e o diálogo entre ambas as partes».

Em entrevista publicada na mais recente edição do semanário “Correio de Coimbra”, da diocese conimbricense, Virgínia Gomes recorda que a cidade é «um exemplo histórico da boa relação entre a arte e o catolicismo».

«Alguns dos mecenas culturais de Coimbra, desde os tempos mais remotos da nacionalidade, foram bispos e clérigos», destaca a também conservadora das coleções de pintura, desenho e gravura do Museu Nacional de Machado de Castro.

A responsável acentua que «a arte e a beleza são um caminho para a felicidade, e para o reconhecimento da nossa identidade», e por isso os espaços museológicos devem ser atrativos para todos.

«Precisamos de deixar de pensar e agir como se os museus fossem lugar para intelectuais. O público quer ver no museu aquilo que lhe diga diretamente respeito», assinala.



«Mesmo a arquitetura circular e ampla, que permite tanto o recolhimento pessoal como o sentir-se em grande assembleia, um pertencer a todos, tem um sentido, é universalidade da fé e da cultura. Agora, isto deve ser explicado às pessoas»



Virgínia Gomes elogia a colaboração entre o Museu e a diocese de Coimbra, dado que «não existe pensamento que seja criado, ou sintetizado, por uma só pessoa. As áreas são várias, cada um sabe da sua, mas esses saberes podem ser interligados num tecido maior, que é o de “todos”. Só assim se pode contar uma boa história».

«É com o testemunho dos próprios párocos que podemos aprender mais sobre os Evangelhos e a sua iconografia. E eles podem aprender connosco: como salvaguardar, valorizar e potenciar a mensagem que o património das suas igrejas transmite», aponta.

Um dos aspetos que a curadora mais refere na entrevista é a «importância da formação», que deve ser «recíproca», não só no planeamento de iniciativas, como também na sua apresentação ao público: «Há uma matriz simbólica subjacente às imagens: conhecer e divulgar os códigos compete aos profissionais».

O esclarecimento do público torna-se ainda mais premente quando se trata de expressões artísticas que congregam a tradição e a contemporaneidade, como acontece na basílica da Santíssima Trindade, em Fátima.

«Mesmo a arquitetura circular e ampla, que permite tanto o recolhimento pessoal como o sentir-se em grande assembleia, um pertencer a todos, tem um sentido, é universalidade da fé e da cultura. Agora, isto deve ser explicado às pessoas», refere.

Por ocasião do jubileu da diocese, em torno aos mártires de Marrocos e a Santo António, que foi concluído a 17 de janeiro, foram realizadas duas exposições, a que se juntará, este ano, uma mostra centrada no tema “O martírio”.

Esta trilogia foi composta por uma mostra já encerrada (a de Santa Cruz, outra patente (a do Museu Nacional de Arte Antiga [Lisboa, vídeos disponíveis em baixo], e a terceira, no Museu Nacional Machado de Castro, que irá ser realizada quando as condições o permitirem», explica Virgínia Gomes.

O Museu Nacional Machado de Castro iniciou a 8 de dezembro um «percurso temático» pelas coleções da sua exposição permanente com obras relativas à Imaculada Conceição, no contexto dos 700 anos do seu culto em Portugal. A pandemia obrigou à suspensão das visitas, mas está disponível um filme, no Facebook da instituição.





















 

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