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Do teatro de rua às aulas de EMRC: Ana Mendes, finalista do Global Teacher Prize

Ana Mendes, professora e coordenadora da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), bem como docente de Educação Ambiental para alunos com necessidades especiais no Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, foi uma das finalistas do galardão Global Teacher Prize (Portugal), tendo sido distinguida com a menção honrosa no domínio da Sustentabilidade Social.

O «autorretrato» da professora de 52 anos, que acompanha mais de 200 alunos do 5.º ao 9.º ano, está em destaque na mais recente edição do “Jornal de Letras”, no suplemento que em todos os números é dedicado à educação.

Nascida em Coimbra, onde cresceu, foi jogadora de basquetebol, integrou grupos de jovens e fez teatro de rua. Acompanhou crianças, viveu num bairro de lata, apoiou o trabalho das Missionárias da Caridade, fundadas pela Madre Teresa de Calcutá: «Aprendi que há pessoas boas em qualquer lugar, que conseguimos viver com pouco, que há pessoas que todos os dias lutam por ter comida e reivindicam os seus direitos mais básicos, e aprendi que podia fazer a diferença na vida de alguém».

Formou-se na Universidade Católica, a mais de centena e meia de quilómetros de casa, onde concluiu as licenciaturas em Ciências Religiosas e Humanidades. Parte deste percurso académico foi realizado como trabalhadora-estudante, e já casada, com um filho pequeno.



A encíclica “Laudato si’”, do papa Francisco, é um dos esteios das dinâmicas que propõe aos estudantes: «Não se trata apenas de uma questão ecológica, mas do respeito pela criação e do modo com conseguimos educar em valores ecológicos que permitirão mudanças efetivas de comportamentos das novas gerações»



«Nos vinte e seis anos de profissão guardo muito boas memórias, muitos sorrisos de muitos rostos cheios de vida que me enchem a alma e muitas oportunidades de tornar a escola mais inclusiva, mais solidária e mais aberta ao meio», assinala. Participou em programas de mobilidade em Inglaterra e Grécia.

“Dar aulas” é mais do que transmitir conteúdos, e ao estado de cada criança não se pode ser indiferente: «Tinham tudo como o telemóvel, no entanto faltava-lhes a relação de proximidade com afeto e a motivação pela escola».

«O grande desafio foi partir de bloqueios emocionais e desmotivação face à escola e acreditarem que eram pessoas válidas e capazes, devolvendo confiança e esperança. Senti uma força que me impeliu a despertar o seu potencial e sem hora ou data marcada, sempre com um olhar atento, iniciei momentos nas aulas em que havia abertura para falarmos de nós, dos nossos sentimentos, das nossas vidas, das nossas mágoas», assinala.

Ana Mendes percebeu que «o ensino é sobre mudar vidas para mudar o mundo», e «a primeira aprendizagem é acreditar que “és capaz” e “tens valor”, atitudes que se treinam na sala de aula, alimentando «o conceito positivo de si».

Paralelamente, envolveu-se em projetos associados a temas como educação para a sustentabilidade social e para a paz, património cultural e natural, direitos humanos, cidadania, democracia e empreendedorismo social.



«Ensinar é uma paixão. É uma missão. Faz parte de mim. É um modo de ser e de estar, e porque acredito que é pela educação que podemos transformar o mundo, permite-me ter, sempre, presente esta frase: “Hoje ajudei ou inspirei alguém?”»



Com estes conteúdos, «os alunos treinam o sentido de pertença e identidade global ao fazerem parte das diversas atividades em contexto de partilha, exploram a riqueza e a diversidade do património cultural dos países com que trabalham e interagem com tolerância e empatia na construção conjunta de uma sociedade multicultural e inclusiva», observa.

A encíclica “Laudato si’”, do papa Francisco, é um dos esteios das dinâmicas que propõe aos estudantes, como explicou ao portal Educris: «Não se trata apenas de uma questão ecológica, mas do respeito pela criação e do modo com conseguimos educar em valores ecológicos que permitirão mudanças efetivas de comportamentos das novas gerações».

Outra dos muitos domínios em que Ana Mendes tem procurado obter conhecimentos, de maneira a sensibilizar os jovens, é a internet, ambiente que lhes é natural mas do qual desconhecem, muitas vezes, os perigos.

«Desde que trabalho colaborativamente em rede com escolas europeias, a questão da cidadania figital tornou-se uma prioridade, em particular o da cibersegurança dado o risco de “cyberbullying” e “sexting” e de todo o tipo de ameaças a que os alunos estão expostos», como «o roubo de dados, perfis falsos, discurso do ódio “online”, “fake news”, entre outros», escreveu no “Observador”.

«O reconhecimento pelo Global Teacher Prize com o finalista e a atribuição da menção honrosa da Sustentabilidade Social em 2020 continua a ser uma honra. Ao mesmo tempo é sentir o que sempre senti. Levantar-me todos os dias e sorrir, quando penso: “Vou para a escola”, porque ensinar é uma paixão. É uma missão. Faz parte de mim. É um modo de ser e de estar, e porque acredito que é pela educação que podemos transformar o mundo, permite-me ter, sempre, presente esta frase: “Hoje ajudei ou inspirei alguém?”, aponta, na conclusão do texto no “Jornal de Letras”.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Jornal de Letras, Educris, Observador
Imagem: Ana Mendes | D.R.
Publicado em 20.07.2021

 

 

 
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