Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Amor em tempos de TikTok

«E se se apaixonasse e perdesse a vontade de ser padre?» É a pergunta de um jovem, um entre muitos, que, como tantos, me provoca para ver até que ponto consigo ser fiel a mim mesmo e à minha vocação.

É a pergunta de muitíssimas pessoas, fora e dentro da Igreja, que não conseguem capacitar-se da escolha de vida de um padre: por amor de Jesus, renunciar ao amor de uma família própria.

É uma pergunta demasiado importante para a deixar cair, por isso decido responder. No TikTok. Na rede social notoriamente mais distante da Igreja e mais frequentada pelos adolescentes.

«Sim, poderia acontecer enamorar-me – digo –, mas nós não somos as nossas vontades e as nossas emoções. O amor é uma escolha, e eu já fiz a minha para sempre.» O vídeo tornou-se viral, e em pouquíssimas horas obteve mais de um milhão de visualizações e milhares de comentários.

Deixando de lado os mais estúpidos (os clássicos impropérios ou as frases sobre a pedofilia), foram numerosas as desaprovações em relação à minha resposta. Não que esperasse receber aplausos, mas fiquei surpreendido pela divergência entre a minha visão da vida e o pensamento do mundo, que sustém – pelo quanto que pude constatar – que nós somos as nossas emoções, e que o amor não é uma escolha. Em síntese, exatamente o contrário do que eu tinha dito.



O amor não é apenas questão de emoções: porque um dom é-o verdadeiramente na medida em que, juntamente com ele, se entrega inteiramente também o seu doador, com o corpo, com a alma e com o espírito



A sociedade de hoje fez das emoções um verdadeiro culto. Tornaram-se o único critério de verdade de uma experiência, ou pelo menos o mais importante. Parece que nos esquecemos de ter também uma razão que dialoga com os impulsos da nossa emotividade, e uma liberdade que decide o que fazer perante as emoções que experimentamos. Em resumo, somos também as nossas emoções, mas não só.

E, do mesmo modo, o amor não se joga só no terreno das emoções, mas parte de um sentimento que, depois, tem de ser escolhido livremente. Muitos, infelizmente, confundem o enamoramento com o amor. O primeiro é uma condição ditada pelas emoções que não depende da nossa vontade (com efeito, não podemos escolher de quem nos enamorarmos).

O amor, antes, é escolher o que fazer das emoções que experimentamos, é decidir dar a vida à pessoa de quem nos enamorámos. O amor é um dom maravilhoso que enriquece a vida de quem o recebe e realiza aquela de quem o oferece. O amor, que em última análise é o dom do próprio Deus, é graça, por isso é grátis, não porque tenha pouco valor, mas porque deve ser livremente doado e acolhido, portanto livremente escolhido.

É por isso que o amor não é apenas questão de emoções: porque um dom é-o verdadeiramente na medida em que, juntamente com ele, se entrega inteiramente também o seu doador, com o corpo, com a alma e com o espírito.

Como sempre, em síntese, aprender a amar parece ser o desafio mais decisivo para toda a humanidade e para toda a humanidade de cada um de nós. Amar com as emoções, com a razão e com a liberdade, porque menos do que isto seria redutor. Os mais jovens, em particular, têm uma enorme necessidade de o ouvir dizer. Inclusive no TikTok.


 

Alberto Ravagnani
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Subbotina Anna/Bigstock.com
Publicado em 20.10.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos