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Alan Kurdi «é um símbolo» de «humanidade» e de «civilizações que morrem», declara o papa

Alan Kurdi, que em setembro de 2015 foi encontrado, aos três anos, sem vida numa praia da Turquia, é «um símbolo» que «vai além de uma criança morta na migração, um símbolo de civilizações que morrem, que não podem sobreviver, um símbolo de humanidade», declarou hoje o papa, depois de, no domingo, ter conversado com o pai do menino sírio, aquando da visita a Qaraqosh.

Em entrevista aos jornalistas a bordo do avião que o trouxe de regresso a Roma, após a visita de quatro dias ao Iraque, Francisco afirmou que «o mundo ainda não tomou consciência de que a migração é um direito humano», e disse que a visita ao Iraque, após meses “preso”, foi para ele como voltar a viver.

Depois de observar que a migração é por muitos considerada como uma «invasão», Francisco defendeu que são necessárias «medidas urgentes para que as pessoas tenham trabalho nos seus países e não tenham de emigrar», a par de «medidas para salvaguardar o direito de migração».

«É verdade que cada país deve estudar bem a capacidade de receber, porque não é só a capacidade de receber e deixá-los na praia. É recebê-los, acompanhá-los, fazê-los progredir e integrá-los. A integração dos migrantes é a chave», sublinhou.

Francisco aproveitou a oportunidade para reiterar o agradecimento aos Estados que recebem os migrantes, em particular o Líbano e a Jordânia, cujo rei gostaria de fazer uma homenagem ao papa, com aérea, caso a rota da viagem passasse sobre o país. «Obrigado a estes países generosos! Muito obrigado!»

Referindo-se à destruição de igrejas e espaços de oração não católicos que testemunhou durante a viagem, o papa falou de uma interrogação que lhe tomou o pensamento: «Mas quem vende as armas? Quem é o responsável? Pelo menos perguntaria a estes que vendem as armas a sinceridade de dizer: nós vendemos as armas. Não o dizem. É mau».

Questionado sobre o que sentiu ao poder voltar a aproximar-se das pessoas, após meses de restrições nos contactos, devido à pandemia, o papa afirmou que se sente «diferente» quanto está distante do público nas audiências.

«Gostaria de recomeçar as audiências gerais [com o público, às quartas-feiras] o mais depressa possível. Esperemos para que haja condições, nisto eu sigo as normas das autoridades. São elas as responsáveis e têm a graça de Deus para nos ajudar nisto, são as responsáveis por dar as normas. Agradem-nos ou não, os responsáveis são eles, e devemos fazer assim», comentou.

«Após estes meses de prisão, senti-me verdadeiramente algo aprisionado, esta viagem foi para mim reviver. Reviver porque é tocar a Igreja, tocar o santo povo de Deus, tocar todos os povos. Um padre faz-se padre para servir, ao serviço do povo de Deus, não por carreirismo, não pelo dinheiro», assinalou.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: L'Osservatore Romano
Imagem: Justus Becker, Oguz Sen | Frankfurt am Main, Alemanha | © Boris Roessler, dpa, AFP
Publicado em 08.03.2021

 

 
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