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Adriano Moreira: 90 anos de «persistência criativa» de um transmontano «que não parte nem desiste»

Adriano Moreira, que a Igreja Católica em Portugal distinguiu em 2009 com o Prémio Árvore da Vida – Manuel Antunes, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, completa 90 anos esta quinta-feira, 6 de setembro.

Os membros do júri destacaram «o percurso intelectual e cívico de uma figura que tem qualificadamente contribuído para a dignificação da vida pública portuguesa».

O texto justificativo da entrega do prémio sublinhou a preocupação de Adriano Moreira em «inscrever a política num horizonte axiológico que tenha a Pessoa como valor fundamental, sobrepondo, na mesma linha, a Comunidade Humana aos ordenamentos estratégicos e instrumentais do sistema de poderes».

«Apraz-nos igualmente apontar, como legado cheio de futuro, a sua consideração de que a política é “no fundo, a urgência de travar a batalha da autenticidade, a única onde parece possível ver convergir todos os que pensam que faz parte da dignidade do homem ajudar a construir o mundo” (Adriano Moreira, Ciência Política, p.341)», realçaram os jurados.

No discurso que proferiu antes da entrega do prémio, D. Manuel Clemente, então presidido por D. Manuel Clemente, anterior presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, salientou a raridade com que se encontra «num longo percurso, entre idades do mundo e mudanças de regime, a continuidade criativa duma linha de pensamento e ação tão juvenilmente definida».

«Globalmente inseridos num mundo ainda mais imediato e próximo, continuamos [os portugueses] a ser nós mesmos, precisamente como povo de partilha. Por isso nos mantemos e devemos manter articulados em nexos culturais cuja persistência se garante juridicamente e aviva culturalmente. Como Adriano Moreira e resistentes ao canto da sereia individualista ou libertária, mesmo quando esta apresente como “progressos de civilização” os mais demonstráveis retrocessos, seremos institucionais, para sermos personalistas, livres e solidários», afirmou o atual bispo do Porto e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa a 5 de junho de 2009.

«O prémio que lhe entregamos, caríssimo Professor Adriano Moreira, assinala o muito que lhe devemos pela persistência criativa com que nos consolidou nesta valorização essencial das coisas, pessoais e coletivas. Essas mesmas que, ensaiadas no passado, nos esperam agora no futuro. Assim tenhamos todos alguma da sua envergadura “trasmontana”, que não parte nem desiste. - Com todos os parabéns dos que continuamos a contar consigo», concluiu.

Em entrevista publicada esta quarta-feira pelo “Jornal de Letras”, o investigador e professor universitário recorda os motivos que o fizeram regressar à vida política como deputado depois de 25 de abril de 1974, 11 anos depois de ter saído de funções do governo do Estado Novo.

«Quem me convenceu foram o Freitas do Amaral, o Amaro da Costa e o Narana Coissoró. Achavam que a importância da doutrina social e dos valores cristãos estava em crise e não podiam dispensar alguém que pudesse ajudar nessa matéria. Eu senti que era um dever cívico».

Viriato Soromenho-Marques, que conduziu a entrevista, escreve que «a dádiva de si próprio, neste mundo onde quase tudo já pertence à esfera das transações, é, talvez, o diamante mais raro da sua [Adriano Moreira] personalidade».

«Uma qualidade aristocrática cujo exemplo e multiplicação muito ajudariam a revigorar civicamente a nossa democracia, nestes tempos de tribulação e incerteza», observa.


 

Rui Jorge Martins
Publicado em 05.09.2012 | Atualizado (mudança de grafismo da página) em 08.07.2025

 

 
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