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Abre-se o Céu e sobre todos derrama força, ternura, esperança

Diz João Batista (Lucas 3, 15-16.21-22): «Vem depois de mim aquele que é mais forte do que eu». Em que consiste a força de Jesus? Ele é o mais forte porque fala ao coração. Todas as outras são vozes que vêm de fora, a sua é a única que ressoa dentro da alma. E diz palavras de vida.

«Ele batizar-vos-á…» A sua força é batizar, que significa imergir o homem no oceano do Absoluto, e que seja embebido de Deus, imbuído da sua respiração, e se torne filho: a quantos o escutaram deu o poder de se tornarem filhos de Deus.

A sua é uma força geradora («vim para que tenham a vida em plenitude»), força libertadora e criativa, como um vento que enche de ar as velas, um fogo que dá um calor impensado.

«Batizar-vos-á em Espírito Santo e fogo.» O respiro vital e o fogo de Deus entram dentro de mim, modelam-me a pouco e pouco, transformam pensamentos, afetos, projetos, esperanças, segundo a lei doce, exigente e serena do verdadeiro amor. E depois impelem-me a passar no mundo levando vento e fogo, levando liberdade e calor, energia e luz.

Jesus estava em oração e eis que o céu se abre. A beleza deste particular: o céu que se abre. A beleza da esperança! E nós que pensamos e agimos como se os céus se fossem fechar de novo sobre a nossa Terra. Mas os céus estão abertos, e podemos comunicar com Deus: ergue os olhos e podes escutar, fala e és escutado.



Antes que tu ajas, antes de qualquer mérito, quer tu o saibas ou não, cada dia a cada despertar, o teu nome para Deus é «amado». Imerecido amor, incondicional, unilateral, assimétrico. Amor que antecipa e que prescinde de tudo



E vem uma voz do céu: «Tu és o Filho meu, o amado: em ti pus o meu comprazimento». A voz anuncia três coisas, ditas por Jesus e para cada um de nós.

«Filho» é a primeira palavra: Deus é força de geração, que como toda a semente gera segundo a própria espécie. Somos todos filhos de Deus no Filho, fragmentos de Deus no mundo, espécie da sua espécie, temos Deus no sangue e na respiração.

«Amado» é a segunda palavra. Antes que tu ajas, antes de qualquer mérito, quer tu o saibas ou não, cada dia a cada despertar, o teu nome para Deus é «amado». Imerecido amor, incondicional, unilateral, assimétrico. Amor que antecipa e que prescinde de tudo.

«Meu comprazimento» é a terceira palavra. Que na sua raiz contém a ideia de uma alegria, um prazer que Deus recebe dos seus filhos. Como se dissesse a cada um: filho meu, olho-te e sou feliz.

Se a cada manhã pudesses imaginar de novo esta cena: o céu que se abre sobre mim como um abraço, um sopro de vida e um calor que me alcançam, o Pai que me diz com ternura e força: filho, amor meu, minha alegria – ficaria muito mais sereno, estaria seguro de que a minha vida está em segurança nas suas mãos, sentir-me-ia verdadeiramente filho precioso, que vive da própria vida indestrutível e geradora.


 

Ermes Ronchi
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Baramee/Bigstock.com
Publicado em 11.01.2019

 

 
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