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A volta ao mundo dos deserdados, por Francisco: Das vacinas que não chegam às guerras que não acabam, de Cabo Delgado à Birmânia

«Todos, sobretudo as pessoas mais frágeis, precisam de assistência e têm direito a usufruir dos cuidados necessários. Isto é ainda mais evidente neste tempo em que todos somos chamados a combater a pandemia, e um instrumento essencial nesta luta são as vacinas. Por isso, no espírito dum «internacionalismo das vacinas», exorto toda a comunidade internacional a um empenho compartilhado para superar os atrasos na distribuição delas e facilitar a sua partilha, especialmente com os países mais pobres.»

A mensagem “Urbi et orbi” – à cidade de Roma e ao mundo – que o papa Francisco proferiu há instantes da basílica de S. Pedro foi, ainda que iluminada pela ressurreição de Jesus que marca o Domingo de Páscoa, uma via-sacra pelas dores do mundo.

«O Crucificado Ressuscitado é conforto para quantos perderam o trabalho ou atravessam graves dificuldades económicas e carecem de adequada proteção social. O Senhor inspire a ação das autoridades públicas para que a todos, especialmente às famílias mais necessitadas, sejam oferecidas as ajudas necessárias para um condigno sustento. Infelizmente a pandemia elevou de maneira dramática o número dos pobres, fazendo cair no desespero milhares de pessoas», pediu o papa.

Jesus, prosseguiu, «é esperança também para tantos jovens que foram forçados a transcorrer longos períodos sem ir à escola ou à universidade e sem partilhar o tempo com os amigos. Todos precisamos de viver relações humanas reais e não apenas virtuais, sobretudo na idade em que se formam o carácter e a personalidade».



«Hoje, 4 de abril, celebra-se o Dia Mundial contra as Minas Antipessoal, munições velhacas e terríveis que, anualmente, matam ou mutilam tantas pessoas inocentes e impedem os seres humanos de caminhar juntos pelas sendas da vida, sem ter receio das ciladas de destruição e de morte. Como seria melhor um mundo sem estes instrumentos de morte»



Francisco lembrou «os migrantes que fogem da guerra e da miséria», nos rostos de quem se pode reconhecer «o rosto desfigurado e sofredor do Senhor que sobe ao Calvário», e lançou um apelo: «Oxalá não lhes faltem sinais concretos de solidariedade e fraternidade humana, penhor da vitória da vida sobre a morte».

O Haiti, a Birmânia, onde os jovens «se empenham pela democracia, fazendo ouvir pacificamente a sua voz, cientes de que o ódio só pode ser dissipado pelo amor», e o Líbano, chamado a ser «terra de encontro, convivência e pluralismo» mas que atravessa «dificuldades e incertezas», foram algumas das “estações” que o papa recordou.

A Síria, «onde vivem já em condições desumanas milhões de pessoas, bem como no Iémen, cujas vicissitudes estão rodeadas por um silêncio ensurdecedor e escandaloso, e na Líbia, onde se vislumbra finalmente a via de saída dum decénio de contendas e confrontos sangrentos», foram igualmente evocados na mensagem.

«A Ressurreição leva-nos, naturalmente, a Jerusalém. Para ela imploramos do Senhor paz e segurança, a fim de que corresponda à sua vocação de ser lugar de encontro onde todos se possam sentir irmãos e onde israelitas e palestinenses encontrem a força do diálogo para alcançar uma solução estável, em que convivam lado a lado dois Estados em paz e prosperidade», apontou.



Francisco não esqueceu os «muitos cristãos» que celebram a Páscoa «no meio de grandes limitações e, às vezes, sem poderem sequer ir às celebrações litúrgicas». E acrescentou: «Rezemos para que tais limitações, bem como toda a limitação à liberdade de culto e religião no mundo, sejam removidas e cada um possa livremente rezar e louvar a Deus»



Referindo-se ao Iraque, que visitou há algumas semanas, Francisco acentuou que continua a rezar pelo país, «a fim de continuar o caminho de pacificação empreendido e deste modo realizar o sonho de Deus duma família humana hospitaleira e acolhedora para todos os seus filhos».

Da Ásia para África, onde também multidões incontáveis «veem o seu futuro comprometido por violências internas e pelo terrorismo internacional, especialmente no Sahel e na Nigéria, bem como na região de Tigré e Cabo Delgado».

Num mundo onde ainda há «demasiadas guerras, demasiada violência», Francisco pediu para que os prisioneiros nos conflitos, «especialmente no leste da Ucrânia e em Nagorno-Karabakh, a graça de retornarem sãos e salvos às suas famílias, e inspire os governantes de todo o mundo a travarem a corrida a novos armamentos».

«Hoje, 4 de abril, celebra-se o Dia Mundial contra as Minas Antipessoal, munições velhacas e terríveis que, anualmente, matam ou mutilam tantas pessoas inocentes e impedem os seres humanos de caminhar juntos pelas sendas da vida, sem ter receio das ciladas de destruição e de morte. Como seria melhor um mundo sem estes instrumentos de morte», afirmou.

Francisco não esqueceu os «muitos cristãos» que celebram a Páscoa «no meio de grandes limitações e, às vezes, sem poderem sequer ir às celebrações litúrgicas». E acrescentou: «Rezemos para que tais limitações, bem como toda a limitação à liberdade de culto e religião no mundo, sejam removidas e cada um possa livremente rezar e louvar a Deus».

Apesar das dores do mundo, subsiste Jesus e a sua esperança, que permite sempre o recomeço, como afirmou o papa na Vigília Pascal. «Feliz Páscoa para todos!», concluiu.


 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 04.04.2021

 

 
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