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A vida de Eriksen

Com a respiração suspensa. Durante mais de dez minutos. Assim ficaram milhões de espetadores a 12 de junho, quando um jogador da seleção nacional de futebol dinamarquesa, Eriksen, caiu no relvado, perdeu os sentidos. No campo, os companheiros, incrédulos e chorosos, fizeram-lhe escudo.

Derramaram lágrimas de desespero, e de mãos juntas dirigiram-se ao Céu para invocar um milagre. Os espetadores gritaram o nome do jogador, Christian Eriksen, como para o desperar do estado de aparente abandono.

Quem o socorreu, a começar pelo capitão da Dinamarca, Simon Kjaer, com prontidão e bravura, soube como comportar-se. No fim, foi-lhe salva a vida, e uma fotografia nas redes sociais que o fez entrever acordado aliviou milhões de corações e sossegou desportistas de todo o mundo.

A vida de Eriksen ficou presa por um fio. A notícia correu rapidamente. Quem não estava ligado em direto soube-o depressa. Um frémito atravessou países e continentes por um rapaz que estava a jogar uma partida no campeonato europeu de futebol, um dos primeiros grandes eventos após ano e meio de Covid.

Por Eriksen todos trememos, jovens e idosos, apaixonados e indiferentes à bola. A televisão e a internet amplificaram a apreensão pelo destino do talentoso jogador. Justamente a partida foi suspensa, mas depois, graças a uma tranquilizadora mensagem do próprio Eriksen, voltou-se a jogar. No fim venceu a Finlândia, porque para os dinamarqueses a verdadeira partida já tinha sido vencida. O companheiro de equipa estava fora de perigo. E o que vale mais do que uma vida?

Numa existência está toda a humanidade. Dissemo-lo várias vezes e naquela tarde de sábado, em direto, experimentámo-lo de novo. Isto não significa que possamos esquecer quem combate a cada dia pela sua existência. Para os muitos Eriksen que lutam para sobreviver na cidade, nas periferias e junto de nós. A vida seja defendida, respeitada e tutelada, em cada instante, da conceção à morte natural.

E batamo-nos por cada vida, como vimos fazer por Eriksen. Num campo de futebol, numa enfermaria de hospital, na rua, em casa, num lar para idosos, no trabalho. Sempre e em todo o lado.


 

Francesco Zanotti
In SIR
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 22.06.2021

 

 
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