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A tua idade não importa: estás sempre a tempo de começar algo novo, diz papa aos avós e idosos

«Oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo! Este anjo, algumas vezes, terá o rosto dos nossos netos; outras vezes, dos familiares, dos amigos de longa data ou conhecidos precisamente neste momento difícil.»

Este foi um dos desejos formulados pelo papa na mensagem para o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, hoje divulgada, que chega num «tempo difícil», causado pela pandemia, que a muitos provocou a morte, enquanto que tantos outros, «demasiados», forçou «à solidão por um tempo muito longo».

«Não importa quantos anos tens, se ainda trabalhas ou não, se ficaste sozinho ou tens uma família, se te tornaste avó ou avô ainda relativamente jovem ou já avançado nos anos, se ainda és autónomo ou precisas de ser assistido, porque não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelhoda tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo», aponta Francisco.

«Quero dizer que há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade», frisa o papa, que com esta insistência na dignidade e valor das pessoas idosas parece corroborar a portuguesa expressão «velhos são os trapos».



«É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa. E tenho a certeza de que não será a única, pois, na tua vida, terás tido tantas e sempre conseguiste triunfar delas»



Nem a idade nem as condições de saúde constituem obstáculos para o chamamento que Deus faz a cada pessoa, ainda que esta convocação divina pareça impossível de concretizar com as limitações que muitas vezes acompanham a “terceira idade”: «Perguntar-te-ás: Mas, como é possível?».

E, depois, a pessoa idosa detém-se nos seus supostos obstáculos: «As minhas energias vão-se exaurindo e não creio que possa ainda fazer muito. Como posso começar a comportar-me de maneira diferente, quando o hábito se tornou a regra da minha existência? Como posso dedicar-me a quem é mais pobre, se já tenho tantas preocupações com a minha família? Como posso alongar o meu olhar, se não me é permitido sequer sair da residência onde vivo? Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? Quantos de vós se interrogam: Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão?».

A resposta está na abertura do «coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-se por toda a parte e faz aquilo que quer», e atua para que cada pessoa idosa realize a vocação que é particularmente adequada à sua idade: «Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos» - como, aliás, tantas o fazem.

A promessa que Jesus fez aos discípulos antes de subir ao céu, após a ascensão, «Eu estou contigo todos os dias», é o excerto bíblico escolhido para a Jornada, que se celebra a 25 de julho.



Carlos de Foucauld «mostra como é possível, mesmo na solidão do próprio deserto, interceder pelos pobres do mundo inteiro e tornar-se verdadeiramente um irmão e uma irmã universal»



«O Senhor está sempre junto de nós – sempre – com novos convites, com novas palavras, com a sua consolação, mas está sempre junto de nós. Como sabeis, o Senhor é eterno e nunca vai para a reforma», afirma, recordando que Ele «manda os operários para a sua vinha a todas as horas do dia, em cada estação da vida».

A mensagem sublinha uma das acentuações mais frequentes do pontificado de Francisco: a «aliança» entre jovens e idosos, nomeadamente quando se refere aos «sonhos» dos primeiros e à «memória» dos segundos, não só da pertença cristã, mas também de acontecimentos dramáticos da história, como as guerras e, mais recentemente, a pandemia.

«É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa. E tenho a certeza de que não será a única, pois, na tua vida, terás tido tantas e sempre conseguiste triunfar delas. E, dessa experiência que tens, aprende como sair da provação atual», destaca o papa.

Com efeito, «recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros», porque «os alicerces da vida estão na memória».

Ao lembrar o exemplo de Bento XVI, «um idoso santo, que continua a rezar e trabalhar pela Igreja», Francisco realçou a importância da oração dos idosos, «recurso preciosíssimo» e «pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo».

Ao concluir a mensagem, Francisco aponta o exemplo do proximamente Santo Carlos de Foucauld, que, ao viver como eremita na Argélia, «mostra como é possível, mesmo na solidão do próprio deserto, interceder pelos pobres do mundo inteiro e tornar-se verdadeiramente um irmão e uma irmã universal».

«Peço ao Senhor que cada um de nós, graças também ao seu exemplo, alargue o próprio coração e o torne sensível aos sofrimentos dos últimos e capaz de interceder por eles», assinala.















 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: evgeny atamanenko/Bigstock.com
Publicado em 22.06.2021

 

 
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