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A santidade é a forma mais alta do humanismo

A santidade é o objetivo da Igreja. Ou melhor, poderemos dizer que a santidade é o objetivo mais autêntico de todo o caminho humano. A santidade é a forma mais alta do humanismo. Porque o santo é o ser humano conseguido, o ser humano cujo projeto de vida coincide com o de Deus.

A Igreja, comunhão de fé, esperança e caridade, testemunha o amor de Deus pelo mundo e, no seu percurso, é para todos os povos sinal e instrumento de santificação. Os santos são aqueles que, de maneira límpida e constatável, tornam concreta essa perspetiva.

Eles são os gérmenes de novidade espalhados nos sulcos da história, pessoas que realizam em plenitude a perfeição do amor, e por isso são capazes de iluminar as mentes das mulheres e dos homens de cada tempo, reacender neles a fé, propor e sustentar generosos impulsos para superar a paralisadora mediocridade, renovar na verdade e na justiça as relações interpessoais, para que ninguém seja marginalizado e derrotado pelo desespero e pela dor.

Os santos são testemunhas fiéis, constantes e credíveis de um amor que transforma o mundo à luz do mistério pascal [morte e ressurreição de Jesus]. Nas suas existências refletem-se os mais altos valores interiores, os sentimentos, os ideais e as opções que inspiram e acompanham a sua vida e a sua obra. Acima de tudo, procuram em cada situação a glória de Deus e uma sincera caridade, rica de ternura, para com o próximo.



O diálogo entre as culturas poderá desenvolver-se em espírito de sincero acolhimento e estima recíproca, e produzir frutos abundantes e duradouros na busca da paz e da fraternidade entre os povos



Profundamente incarnados no seu ambiente e na sua época, exprimem a índole e mais altas qualidades do seu povo, tornando-se quase o “cartão de cidadão”, ainda que o seu raio de influência supere amplamente os limites geográficos e cronológicos da sua existência terrena. São os maiores filhos de uma terra, figuras exemplares dos melhores talentos da sua gente.

Os povos de antiga tradição cristã poderão sempre beber da memória dos santos, como fecunda herança espiritual e cultural, para continuar a construir o seu futuro, respondendo a novas exigências e perspetivas no pensamento e nas ações. Mas também aqueles povos que recentemente foram envolvidos no benéfico fluxo da evangelização encontrarão neles uma “raiz”, uma experiência de ancoragem e desenvolvimento.

Anunciadores e concretizadores de valores universais, os santos propõem-se como mediadores na construção da paz, na dedicação a favor da solidariedade e da assistência às pessoas mais indigentes, na tutela da vida em todas as suas fases, na salvaguarda da criação, na defesa da consciência, na liberdade religiosa, critério e fundamento de todas as liberdades.

Os santos são apaixonados buscadores da verdade: este é, precisamente, o valor mais profundo da cultura, e os santos são os primeiros e mais credíveis “animadores culturais”. Ensinam-nos um estilo de obediência à verdade e um generoso compromisso ao serviço de uma visão da vida plenamente respeitosa da dignidade humana.



Muitos sinais no horizonte indicam-nos que a noite, felizmente, passou. Mas muitos outros sinais inquietantes avisam-nos de que o caminho da humanização do ser humano é ainda longo e está impregnado de lágrimas



Extraordinários promotores de renovação na Igreja e na sociedade: muitos são os âmbitos nos quais eles, com o exemplo e o ensinamento, traçaram uma estrada que pode ser percorrida com renovado ímpeto.

Também hoje a Igreja, como sempre na sua história, é chamada a uma revisão para poder responder cada vez melhor às expetativas do Senhor. Ao voltar a percorrer os seus passos, a comunidade cristã e os crentes individualmente considerados serão capazes de se tornar felizes responsáveis por uma nova evangelização e trabalhar com renovado entusiasmo ao serviço do bem; os pastores da Igreja viverão o seu ministério com zelo e humildade, educando o povo de Deus para a santidade evangélica; os religiosos poderão crescer na fidelidade à sua vocação e, na senda dos conselhos evangélicos, afirmar a centralidade de Deus e o primado do sobrenatural na existência de cada ser humano; o diálogo entre as culturas poderá desenvolver-se em espírito de sincero acolhimento e estima recíproca, e produzir frutos abundantes e duradouros na busca da paz e da fraternidade entre os povos.

«Sentinela, a que ponto é a noite?», grita o profeta Isaías, o maior poeta de Israel (cf. 21,11). A noite passou? Muitos sinais no horizonte indicam-nos que a noite, felizmente, passou. Mas muitos outros sinais inquietantes avisam-nos de que o caminho da humanização do ser humano é ainda longo e está impregnado de lágrimas. A barbárie continua entre nós e, hoje como ontem reveste-se de hipocrisia e intolerância.

Continuamos a precisar de “sentinelas”. Mulheres e homens santos. Felizmente, mais uma vez o profeta encoraja-nos: «As tuas sentinelas levantam a voz», acrescenta Isaías (52,8), «durante todo o dia e toda a noite nunca se calarão» (62,6). É a reconfortante visão profética: nunca o Senhor fará faltar os santos à Igreja e ao mundo.


 

Card. Angelo Amato
Presidente emérito da Congregação para as Causas dos Santos
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Beato Charles de Foucauld | D.R.
Publicado em 29.04.2021

 

 
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