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A lição das aves

Enfrentam viagens longuíssimas e perigosas para abandonar um ambiente que se tornou inóspito e sem alimento e alcançar outro que lhes permite viver melhor, mas mantendo sempre a promessa de regressar aos lugares em que nasceram. São as aves migratórias que unem o mundo com as suas inacreditáveis viagens sem fronteiras. Um símbolo, porque a sua busca de um lugar melhor para viver e fazer crescer os filhotes acomuna muitos seres humanos.

Grandes ou pequenas, sozinhas ou em companhia, as migradoras representam 40 por cento das mais de dez mil espécies de aves conhecidas. A sua vida é a dos pendulares, movem-se ciclicamente entre duas regiões, a norte e a sul. Na primavera dirigem-se a norte para nidificar, no outono deslocam-se para sul, de maneira a passar o inverso em lugares com climas mais quentes e acolhedores.

Com as suas deslocações, as aves migratórias recordam-nos os ciclos da natureza. As suas intermináveis viagens estão sujeitas a perigos, entre os quais a poluição e a intervenção do ser humano sobre o ambiente. A sua necessidade de um habitat natural e saudável torna-as embaixadoras planetárias da natureza, ligando não só diferentes partes do globo como também as pessoas à natureza e a si próprias, como nenhum outro animal. Por isso, o Dia Mundial das Aves Migratórias, instituído pelas Nações Unidas, e que decorre no segundo sábado de maio e outubro, não é apenas uma celebração das aves, mas é também um momento importante para refletir sobre a nossa relação com a natureza.

Este ano a Jornada tem um significado ainda mais importante porque a pandemia, que não impediu às aves continuar a cantar e a voar, permitiu-nos, no silêncio inatural das nossas cidades, em que as deslocações e as atividades de milhões de pessoas foram limitadas, escutá-las e observá-las como nunca até agora. E para muitos, o canto dos pássaros foi um conforto durante os duros meses de isolamento, ligando as pessoas entre elas e a natureza, apesar do confinamento.



O convite ao ser humano é, pois, o de se reconciliar com a natureza, escutando e observando a vida destes animais, cuja presença em torno a nós, nas cidades, nos campos, nos parques e nos jardins públicos, nas florestas e nas montanhas, nas zonas húmidas e ao longo da costa, teve um efeito benéfico sobre a saúde durante a pandemia



O tema escolhido para o Dia Mundial de 2021 é «canta, voa e eleva-te como uma ave». As mil iniciativas organizadas no mundo têm o propósito de o sensibilizar para a importância de desenvolver um esforço comum para proteger as aves migratórias e o seu habitat, sem o qual não conseguirão sobreviver. A sua morfologia e fisiologia permite-lhes voar rapidamente e durante longas distâncias. São capazes de se orientar graças ao Sol durante o dia e às estrelas durante a noite. Mas as suas viagens extenuantes precisam de uma série de lugares ao longo do percurso para se deterem e repousarem. Algumas espécies podem percorrer até 16 mil km duas vezes ao ano, da Sibéria à costa ocidental de África, descendo inclusive à África do Sul. Isto faz compreender como são essenciais os locais de escala, dos quais depende a sua vida. Mas a mão do ser humano – por exemplo, na edificação de grandes projetos – causa muitas vezes a perda desses lugares, e isso pode ter um impacto dramático sobre a possibilidade de sobrevivência das aves migratórias.

O convite ao ser humano é, pois, o de se reconciliar com a natureza, escutando e observando a vida destes animais, cuja presença em torno a nós, nas cidades, nos campos, nos parques e nos jardins públicos, nas florestas e nas montanhas, nas zonas húmidas e ao longo da costa, teve um efeito benéfico sobre a saúde durante a pandemia, segundo o que é sugerido por estudos empreendidos por ilustres cientistas. As muitas iniciativas organizadas para este Dia Mundial por inúmeras agências ambientais querem dar a conhecer a admirável migração das aves, de maneira a ampliar a consciência sobre a sua importância ecológica e a necessidade de respeitar o ambiente.


 

Anna Lisa Antonucci
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: © Sara Wolman
Publicado em 07.05.2021

 

 
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