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Leitura: “A história contemplativa”

«Podemos tomar a História no seu todo, como um convite à reflexão acerca do comportamento humano perante as condições positivas e negativas em que a Humanidade se encontrou, e como a elas reagiu. Assim procuramos ser conscientes das escolhas que individualmente e em conjunto podemos ou devemos fazer para sermos humanos.»

Este é um dos pressupostos apresentado por José Mattoso (n. 1933), que a Igreja católica distinguiu, através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, com o prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes (2019), no seu mais recente livro “A história contemplativa” (ed. Temas & Debates, 343 páginas).

O volume «reúne palestras e artigos surgidos entre 1996 e 2013, que abordam temas tão diversos como as relações entre mouros e cristãos no século XI ibérico, as particularidades da religiosidade dos alentejanos, os contactos do Portugal recém-nascido com o mundo, a importância dos lugares e monumentos portugueses classificados como património mundial pela Unesco ou também a vida de Beatriz da Silva, santa portuguesa do século XV», refere a sinopse.

Os textos «abordam temas tão diversos como as relações entre mouros e cristãos no século XI ibérico, as particularidades da religiosidade dos alentejanos, os contactos do Portugal recém-nascido com o mundo, a importância dos lugares e monumentos portugueses classificados como património mundial pela Unesco ou também a vida de Beatriz da Silva, santa portuguesa do século XV».

A obra começa com o ensaio que lhe dá título, no qual José Mattoso se detém sobre o seu «ofício de historiador», defendendo a História «como base do conhecimento da condição humana ou, até certo ponto, como “mestra da vida”, quando se invocam feitos do passado para orientar resoluções do presente».

«Não sabemos bem o que somos. O comportamento humano é tão diversificado e tão imprevisto, que jamais poderemos saber para onde vai a Humanidade. Não sabemos para onde vai, mas podemos ter alguma ideia acerca do donde veio. Para isso temos de a considerar na sua totalidade. Temos de conhecer as recorrências e as anomalias, as variantes e as repetições, a originalidade e a cópia, a norma e a exceção, o igual e o diferente, o que foi e o que é. Temos de estudar as transições e os contágios, a continuidade e a rutura, o verdadeiro e o falso. Temos, enfim, de considerar o Homem no Tempo», assinala.

Seguindo este ensaio, Luciana Leiderfarb salienta, no “Expresso”, que «ao historiador cabe “olhar para o passado da Humanidade numa atitude ‘contemplativa’, ou seja, ver a realidade de um ponto fixo a partir do qual pudesse abranger todo o passado, e inserir nele tudo aquilo que o tempo eliminou, mas do qual deixou rastos”».

A crítica literária acrescenta que o mister de José Mattoso «é o de procurar “a trajetória temporal do Homem”, não a “poeira do episódico e do fortuito”». E conclui: «Isso é a contemplação aplicada a esta disciplina – a recusa de um positivismo desligado da integração dos factos num sentido mais global e, porque não, transcendental».


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Capa | D.R.
Publicado em 28.01.2021

 

Título: A História contemplativa
Autor: José Mattoso
Editora: Temas & Debates
Páginas: 344
Preço: 17,70 €
ISBN: 9789896446284

 

 
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