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Afetos, relações, espiritualidade: O que um computador não pode fazer

Afetos, relações, espiritualidade: O que um computador não pode fazer

Imagem fizkes/Bigstock.com

«Teremos de refletir melhor sobre o impacto da tecnologia na forma da nossa humanidade, para lá do ingénuo deslumbramento promovido pelas grandes máquinas publicitárias.»

É com esta proposta que começa a mais recente crónica do P. José Tolentino Mendonça no semanário “Expresso”, ecoando a sua participação na assembleia plenária do Conselho Pontifício da Cultura, de que é consultor, realizada de 15 a 18 de novembro, em Roma.

O encontro, dedicado ao tema “Futuro da humanidade – Novos desafios à antropologia”, debateu, entre outros assuntos, a influência que a inteligência artificial tem e poderá vir a assumir no ser humano, em particular no que respeita às convergências e oposições com a sua caracterização cristã.

«A finalidade da tecnologia é ainda, nesta fase, encarada como instrumental. Mas estamos a entrar noutra era em que os dispositivos tecnológicos se tornarão tendencialmente “objetos de companhia”», o que implica «um determinado grau afetivo de relação e uma prática habitual de convivência e cuidado», considera o teólogo.

Depois de «uma primeira etapa», em que «as máquinas substituem alguma atividade humana, mas num regime de subordinação», emerge a opinião de que se estará cada vez mais disposto a «substituir relações tradicionais por novos interfaces tecnológicos», aponta o vice-reitor da Universidade Católica.

A quem assegura que a inteligência artificial poderá ter «uma centralidade reforçada nos processos tipicamente humanos é, contudo, necessário recordar aquilo que um computador não pode fazer», alerta, adiantando exemplos como o de um juiz, um artista ou um médico.

«Como podemos fazer uma pergunta e ser escutados também na dor submersa que não chega sequer às palavras? Podemos confiar que o computador será sensível à força da nossa fragilidade? Pode programar-se através deles as virtudes ou um itinerário de procura espiritual? Que resposta nos darão para o mal e a morte? Se a nossa escatologia for apenas um futuro melhorado pelos computadores não ficará a faltar nada?», questiona Tolentino Mendonça.



 

SNPC
Fonte: Expresso
Publicado em 02.12.2017

 

 

 
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