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Franco Zeffirelli explica livro sobre o filme "Irmão Sol, Irmã Lua" e fala sobre a esperança que reencontrou com S. Francisco

Imagem Ansa | D.R.

Franco Zeffirelli explica livro sobre o filme "Irmão Sol, Irmã Lua" e fala sobre a esperança que reencontrou com S. Francisco

«Encontrei pessoalmente o segredo para dar paz às minhas agitações e às minhas dores fazendo tesouro de uma condição a que o homem deve recorrer como a um segredo absoluto: o bem, que é motor de todas as virtudes e conforto para todos os males do mundo.»

Esta é uma das convicções que o italiano Franco Zeffirelli, realizador da série televisiva “Jesus de Nazaré” e de filmes como “Romeu e Julieta” e “Otelo”, partilhou em entrevista publicada na página “San Francesco”.

«Perguntemo-nos todos se o que nos falta é a solução mágica de servir o bem, fazer o bem e amar o bem. Tudo mudará nos nossos olhos e na nossa atitude, e as amarguras que tornam a nossa vida um terrível e insolúvel sofrimento desaparecerão. Para deter a globalização da indiferença, é suficiente e necessário mudarmo-nos a nós próprios», afirmou.

Segundo o cineasta nascido em 1923, há sempre possibilidade de superar as dificuldades da vida: «Se isto não acontece, é preciso perguntar se temos no coração uma verdadeira, ardente, fortíssima confiança do decurso espiritual da oração. Deus ajudar-nos-á sempre e defender-nos-á das desgraças que nos ameaçam, e isso fará com que sejam derrotadas».

«Não existe na vida de cada um de nós uma ameaça do mal que não se possa vencer. Desejai sempre bem firmemente; o amor que fordes capazes de suscitar será a onda para vencer todas as batalhas», assinalou Zeffirelli, membro do Senado Italiano entre 1994 e 2001.

Depois de trabalhar com Luchino Visconti, Vittorio De Sica e Roberto Rossellini, o cineasta enveredou pela realização, ao mesmo tempo que se dedicava produção de filmes, assim como à direção e conceção de óperas, pelas quais foi várias vezes distinguido.

Em 2014, aos 91 anos, Zeffirelli assinou o álbum fotográfico “Francisco”, baseado no filme “Irmão sol, irmã lua”, de 1972, porque sentiu a necessidade de «renovar» a sua atenção ao santo de Assis, com quem estabeleceu uma relação forte: «É o amigo mais próximo do meu coração e da minha alma».

«Francisco é o espírito gémeo de cada um de nós, e diferentemente de todos os outros santos que são pilares da nossa fé, não é sentido como um espírito superior e muitas vezes inapreensível que se deve aceitar através de uma disciplina da alma mais do que pelo convencimento dos nossos corações», apontou o realizador.

«É ele que sentimos sempre próximo das dores que nos atingem nos momentos dramáticos da nossa vinda, pedindo simplesmente o conforto nos conselhos que pode dar-te um amigo puro e simples.

«Com Francisco, o conforto que se espera não é fruto de um raciocínio misterioso do nosso espírito, mas é pura e simplesmente a graça e o calor que se espera que floresça da educação de um amigo, e não de uma poderosa entidade que existe na tua confusão mental com a graça de um prodígio.

«Não, o nosso coração pede simplesmente a um irmão o seu conforto para que venha em teu auxílio, como viria o melhor amigo que tivesses na tua vida.

«Em síntese, sinto Francisco como uma pessoa perfeita e sempre pronta a oferecer-te o bem. É por isso que a sua mensagem, a sua força, estão hoje vivos como então e nos sentimos todos indissoluvelmente ligados a este santo», declarou Zeffirelli a propósito do livro que dedicou ao atual papa.

«Bergoglio já tinha expressado simpatia por mim quando ainda estava na América Latina», revelou o cineasta aquando da apresentação do livro, adiantando que Francisco viu e gostou de “Irmão Sol, Irmã Lua”.

Na conferência de imprensa de lançamento do volume, o realizador afirmou que o «amor pelo santo» contribuiu para redescobrir «aquela luz e aquela alegria que faz do cristianismo a fé amiga e mais feliz deste mundo».

«Com fé distanciei-me do período de incerteza para reencontrar uma criatividade que a alma bela de Francisco de Assis me tinha despertado. E assim, a pouco e pouco, voltaram aquela esperança e a confiança que eu acredito profundamente serem a essência do espírito franciscano. Com este livro quero também partilhar esta mensagem», explicou.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.01.2015

 

 
Imagem New Pressphoto | D.R.
Sinto Francisco como uma pessoa perfeita e sempre pronta a oferecer-te o bem. É por isso que a sua mensagem, a sua força, estão hoje vivos como então e nos sentimos todos indissoluvelmente ligados a este santo
Com fé distanciei-me do período de incerteza para reencontrar uma criatividade que a alma bela de Francisco de Assis me tinha despertado. E assim, a pouco e pouco, voltaram aquela esperança e a confiança que eu acredito profundamente serem a essência do espírito franciscano
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