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Vaticano lança-se no teatro com festival inédito sobre «o ser humano do futuro»

Não é de hoje: já no século V a.C., Sófocles punha na boca do coro da “Antígona” a reflexão sobre “O ser humano do futuro”, tema do festival internacional de teatro que Roma acolhe entre 27 e 29 de março de 2010, organizado pelo Conselho Pontifício da Cultura, do Vaticano, e o Vicariato da capital italiana.

O projeto visa encenar «espetáculos centrados na relação entre o homem e as novas fronteiras científico-tecnoloógicas», tema que o organismo da cúria da Santa Sé tem refletido, nomeadamente na sua mais recente assembleia plenária, que em 2017 foi dedicada ao tema “O futuro da humanidade”.

As inquietações do dramaturgo grego - quanto à «irrupção violenta e profanadora da criatura humana na ordem cósmica, a invasão arrogante dos vários domínios da natureza por parte do seu engenho inesgotável, mas, ao mesmo tempo, a sua capacidade propositiva de enfrentar um mundo hostil mediante o pensamento e a arte» - continuam a ecoar.

Com efeito, acentua a nota de apresentação da iniciativa, que tem como um dos responsáveis o bispo português D. Carlos Azevedo, as questões dramatizadas há dois milénios e meio «adquiriram hoje novas e totalmente inesperadas implicações no plano ético, religioso, social e filosófico».

«Das intervenções sobre o início e sobre o fim da vida humana às alterações climáticas, da genética à inteligência artificial, até às novas fronteiras científicas e tecnológicas, o ser humano é agora chamado a reconsiderar o seu papel no mundo, enquanto capaz de condicionar e dobrar de maneira irreversível as forças da natureza, de atravessar os seus próprios limites até quase conseguir a imortalidade, mito ancestral da humanidade, tornando-se ele mesmo Deus ou acreditando poder substituir-se a Ele», aponta o texto.

Com esta iniciativa, que decorrerá na basílica de S. João de Latrão e noutros espaços a definir, pretende-se a representação de obras que aprofundem os temas em jogo «em chave poética e artística, segundo as mais diversas formas linguísticas, sem qualquer vínculo ou limitação».

As obras enviadas para apreciação dos jurados, no máximo até 15 de outubro, podem ser inéditas ou desenvolvidas a partir de conteúdos pré-existentes, nas modalidades de texto teatral, ópera lírica, poesia dramatizada, coreografia e obra musical (por exemplo, oratório, cantata, sinfonia).

Os projetos, a remeter por correio eletrónico, devem ser acompanhados por um texto que explique as motivações, as opções estilísticas e a mensagem que a obra pretende comunicar, bem como por um resumo. Todo o material deve ter cópia em língua inglesa.

Os nomes dos selecionados serão divulgados até 15 de novembro. Os cinco melhores projetos serão publicados.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Wrightstudio/Bigstock.com
Publicado em 20.05.2019

 

 

 
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