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Leitura: "Um erro de Afonso Costa - As missões laicas republicanas (1913-1926)"

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Leitura: "Um erro de Afonso Costa - As missões laicas republicanas (1913-1926)"

As Missões Laicas (1913-1926), «exemplo paradigmático do diferendo entre Estado e Igreja durante a I República», constituem o tema do livro assinado por Amadeu Gomes de Araújo, que conta com prefácio de Mário Soares, ex-presidente da República e ex-primeiro-ministro.

O volume, a ser publicado pela Alêtheia Editores, apresenta também «o panorama de uma época conturbada da vida portuguesa», na sequência da passagem da Monarquia para a República, ocorrida em 1910, e das medidas tomadas pelo novo poder político contra a Igreja católica.

«O projecto novo e emblemático das missões laicas civilizadoras propunha-se levar aos povos do Ultramar português os grandes valores da solidariedade, da filantropia, do patriotismo e da civilização», realça Mário Soares.

«Apesar do desfecho que tiveram, devemos reconhecer que constituíram uma experiência séria e inovadora, e é justo recordar a virtude generosa dos que as integraram», observa, acrescentando que a queda da I República se deveu, «em parte», ao conflito com a Igreja.

Por seu lado, o historiador António Matos Ferreira salienta, na introdução, que o estudo conta «os méritos e os atropelos epocais» que se travaram «entre as ambiguidades e as limitações de uma laicização institucional».

Esta, assinala o investigador, quis impor ao «plano civil algo que lhe pertencia, tinha estado e ainda estava associado ao domínio da moralização religiosa, isto é, “portugalizar as populações locais”», objetivo que se tornou «uma tarefa difícil desligada do concurso do catolicismo».

Na sequência da Lei da Separação entre o Estado e as Igrejas (1911), Afonso Costa, pressionado por correlegionários, particularmente por Abílio Marçal, decidiu, em novembro de 1915, transformar o Real Colégio das Missões, de Cernache do Bonjardim, num instituto de formação de agentes colonizadores laicos, denominado Instituto de Missões Coloniais, refere o resumo da obra.

Ao mesmo tempo, Afonso Costa (1871-1937) «tomou medidas tendentes a converter as Missões religiosas do Padroado em Missões civilizadoras laicas, chefiadas pelos agentes formados no Instituto».

A usurpação do Colégio das Missões Ultramarinas, criado por Sá da Bandeira em 1856 com o objectivo de formar missionários seculares nacionais para as Missões do Padroado, foi mal aceite, tendo aberto uma nova frente na "guerra religiosa" que tantos atritos gerou na sociedade portuguesa durante a I República.

A obra será apresentada em breve na Fundação Mário Soares, revela o semanário "Voz Portucalense", da diocese do Porto.

 

Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 04.03.2015

 

 

 
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Na sequência da Lei da Separação entre o Estado e as Igrejas (1911), Afonso Costa, pressionado por correlegionários, particularmente por Abílio Marçal, decidiu, em novembro de 1915, transformar o Real Colégio das Missões, de Cernache do Bonjardim, num instituto de formação de agentes colonizadores laicos, denominado Instituto de Missões Coloniais
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