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Só noticiar o mal ou ignorá-lo não é bom jornalismo, diz responsável pela comunicação do Vaticano

«Se eu só conto o mal, não estou a contar como é realmente a Igreja. Isto, na minha opinião, não seria um bom jornalismo. Mas ignorar o mal, ao mesmo tempo não é um bom jornalismo», considera o responsável pelo departamento (dicastério) do Vaticano para a Comunicação.

O italiano Paolo Ruffini, em funções desde julho, primeiro leigo à frente de um dicastério da Santa Sé, está convicto de que as notícias de um meio de comunicação social que só acentuam a negatividade, da Igreja ou de outra realidade, conduzem a equívocos.

«Podemos criar um clima de medo. Contextualizar para explicar que a Igreja é um conjunto. Devemos ter presente que, desgraçadamente, o mal está presente em todos os lados, mas também há muitíssimo bem», afirma.

Nascido em 1956, o prefeito passou pelos jornais e pela televisão antes de ser convidado pelo papa Francisco, encabeçando agora uma estrutura com cerca de 580 profissionais, que antes da formação do Dicastério para a Comunicação, se dividia em nove organismos. Com a reforma, o número de colaboradores diminuiu seis dezenas.

«Hoje centramos os esforços em fazer com que a comunicação responda a um critério sinergético ligado ao tempo, sabemos que a comunicação vai evoluindo. Através do nosso “smartphone” podemos ouvir rádio, ler o jornal ou utilizar as redes sociais. O nosso objetivo é colocar em conjunto todas estas realidades», explica.

A sinergia «tem uma dupla vantagem: Por um lado comunicativa, trabalhar como uma equipa. Trata-se de uma formação creio que mais clara, mais completa, mais coerente, na qual cada um tem um papel e cada um trabalha próximo do outro. Uma proximidade económica, cultural, para em definitivo dar o mesmo produto, ainda que uns deem a notícia, outros façam-no com maior profundidade, outros o façam em tempo real através das redes sociais, etc.».

Ruffini aponta três desafios para a Igreja a partir do Vaticano: «O principal é conseguir comunicar bem para as pessoas do nosso tempo, com a linguagem do nosso tempo, o ensinamento da Igreja e a voz do papa», o que também depende da capacidade da Igreja em se relacionar com quem está interessado nela.

A nível de organização, é preciso que as nove instituições trabalhem «com base numa sinergia», sendo também imprescindível a adaptação «às novas tecnologias e meios que existem», embora «não absolutizando o meio».

«A finalidade é comunicar, pelo que para isso são precisos os meios. Paulo VI dizia que “há que dizer a verdade aos homens do seu tempo, ainda que os homens do seu tempo não o compreendam», salienta.


 

Almudena Martínez-Bordiú
Fonte: Infovaticana
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 05.04.2019

 

 
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