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Fé, Esperança, Caridade…: Sete virtudes, sete cervejas

Os espaços da fábrica de cerveja “La Vertueuse” (A Virtuosa) são exíguos. Próximo de uma cuba de brassagem em inox repleta de cevada, amontoam-se caixas, garrafas e etiquetas. “Temperança”, “Fortaleza”, “Prudência”, pode ler-se em muitas delas. Nomes bizarros para cervejas. «Lancei-me com a ajuda do Espírito Santo», justifica Cristóvão. Desde os 10 anos que sonhava fabricar a sua própria bebida.

O 40.º aniversário foi como um detonador. É agora ou nunca, disse para si próprio o carpinteiro, que se inscreveu numa formação para cervejeiros. De regresso a casa, preparou um pequeno local, concebeu quatro receitas de cervejas, produzindo alguns litros para os amigos.

A história podia ficar por aí, só que outra revolução vem desarrumar a família: «A minha mulher, Celina, converteu-se. Quando começou o catecumenato [preparação para receber os sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Crisma, Eucaristia ], eu inscrevi-me para me preparar para o sacramento do Crisma, aos 42 anos. Sou um “recomeçante”».

O casal estabelece então laços de amizade com os monges da Comunidade de S. Martinho, 170 km a oeste de Paris, onde decorria a preparação para os sacramentos. Um dos religiosos descobre a minúscula cervejeira de Cristóvão e sugere-lhe que comercialize o seu produto.

Depois os acontecimentos encadeiam-se. Cristóvão escreve a sua carta ao bispo de Séez, em vista da Confirmação. D. Jacques Habert responde-lhe que ele «trabalhar para o bem da Igreja». A frase fica-lhe a trabalhar na cabeça. No catecismo, conhece Clarice, uma gráfica, que também se encaminha para o Crisma.



Em breve, as cápsulas terão curtas mensagens extraídas do Evangelho. «Depois de ter destapado uma garrafa, talvez possa ser o início de uma discussão entre amigos.»



«Falei-lhe do meu projeto, explicando que queria passar uma mensagem cristã. Como tínhamos estudado as virtudes cardeais e teologais, ela sugeriu que eu denominasse a minha cervejeira de “A Virtuosa” e batizasse as minhas cervejas com o nome das sete virtudes. Eu só tinha quatro receitas, foi preciso inventar mais três.»

Depois, os padres de Montligeon propuseram-lhe instalar-se num espaço criado em 1888 pelo abade Buguet, fundador do santuário, que estava a ser relançado, e que acolhia empresários e artesãos que aplicam a doutrina social da Igreja.

Negócio fechado para Cristóvão, que desejava acima de tudo montar um projeto humano, e pôde confiar a etiquetagem das suas garrafas a pessoas com deficiência.

Quanto trabalha na sua cervejeira, o silêncio é monástico. Não há rádio, Cristóvão coloca-se na presença de Cristo e «tagarela com Ele». A língua solta-se com os seus clientes. Quando alguns lhe pedem «a cerveja com a etiqueta verde ou preta», Cristóvão pede-lhes para especificar o nome. «Traga-me “Esperança” e “Fé”», retificam.

Em breve, as cápsulas terão curtas mensagens extraídas do Evangelho. «Depois de ter destapado uma garrafa, talvez possa ser o início de uma discussão entre amigos.» Um argumento suplementar para se aparelhar de todas as virtudes…

Para a etiqueta da “Fé”, Cristóvão escolheu a cor negra, piscar de olhos à batina envergada pelos padres da Comunidade de S. Martinho instalados em La Chapelle-Montigeon. A sua oitava cerveja, “Perseverança”, celebra o centenário da morte do abade Buguet: «Traduz nem o esforço que teve para lançar os seus ateliês, e é também uma qualidade a ser honrada nas nossas famílias e na nossa vida profissional».


 

Élisabeth Caillemer
In Famille Chrétienne
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 12.02.2021

 

 

 
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