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Semana Santa é «apelo turístico» com «encenação e reclame», mas é «pena se for isso só»

O cardeal-patriarca de Lisboa alertou este domingo para o perigo de as solenidades da Semana Santa ficarem reduzidas a um cartaz turístico que movimenta milhares de pessoas e de euros, perdendo-se a sua origem e identidade cristãs, assim como a possibilidade de uma revisão e mudança de vida pessoais.

A liturgia católica preenche a chamada “semana maior” «com sinais expressivos dos acontecimentos celebrados», que são «tão expressivos e até vistosos», que chegam a ser «apelo turístico, com encenação e reclame», embora seja «pena se for isso só», declarou D. Manuel Clemente na sé lisbonense.

Na homilia da missa de Ramos, pórtico da Semana Santa, «que não pode ser apenas o calendário», o prelado frisou que «não se trata de distrair os sentidos, mas de converter as vidas», o que exige cuidado redobrado «com possíveis distrações».

«Por isso aqui estamos e é só o que importa», vincou o presidente da Conferência episcopal Portuguesa ao referir-se à cruz de Jesus, antes de assinalar que Ele, tal como entrou há dois mil anos numa cidade de Jerusalém em apoteose, «continua a entrar na cidade» e na «vida» de cada pessoa, ou seja, «como Messias humilde, que vence porque convence».

Que a Semana Santa seja vivida como «surpresa de Deus», bem como de «franca conversão, com disponibilidade total» para «seguir Jesus na obediência inteira a Deus Pai», afirmou D. Manuel Clemente: «Nada mais nos oferece, pois só isso nos salva».



«Podem tirar todos os crucifixos dos lugares públicos, mas há crucifixos que ninguém conseguirá tirar: aqueles onde estamos nós»



Também o bispo de Angra, D. João Lavrador, frisou, na missa de Ramos celebrada na igreja matriz de Ponta Delgada, que a Semana Santa não pode ficar por se “assistir” às celebrações: «O caminho da paixão, que é o itinerário de amor e de entrega de Jesus Cristo, não poderá ser vivido por nós como meros espetadores».

«Necessitamos que Deus nos abra os ouvidos para escutarmos o que o Senhor nos tem a dizer para que o nosso olhar fixo nas atrocidades do nosso mundo e na sorte de tantos excluídos da nossa sociedade, reconheçamos a missão que nos toca a realizar para lhes oferecer a autentica libertação tão esperada e por Deus realizada», acentuou.

Em Viana do Castelo, o bispo D. Anacleto Oliveira proferiu o Sermão do Encontro nas ruas da cidade, vincando: «Podem tirar todos os crucifixos dos lugares públicos, mas há crucifixos que ninguém conseguirá tirar: aqueles onde estamos nós».

O Jornal de Notícias dedica esta segunda-feira duas páginas às iniciativas especificamente religiosas da Semana Santa, dando conta de que em Braga as três principais procissões, entre quarta e sexta-feira, vão contar «com mais de 2000 participantes», atraindo cerca de 100 mil visitantes por noite.

A publicação também sintetiza algumas «tradições de rua» ligadas à Semana Santa, algumas com traços profanos, em Freixo de Espada à Cinta, Penafiel, Vinhais, Vila Real, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Valença e Amares.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Patriarcado de Lisboa, Igreja Açores
Imagem: bazan/Bigstock.com
Publicado em 15.04.2019

 

 
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