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Sem fraternidade, a cruz «é somente um objeto de culto e decorativo»

«Enquanto existirem pessoas e famílias privadas de dignidade humana, a cruz de Cristo é somente um objeto de culto e decorativo», pelo que a crucificação de Jesus «impele a um trabalho de maior intervenção na causa do bem comum»: as palavras do arcebispo de Braga na missa do Domingo de Ramos foram reiteradas nas homilias de alguns dos bispos das dioceses portuguesas neste dia que marca o início da Semana Santa.

D. Jorge Ortiga declarou que «há muito partidarismo e sentido de ajudar alguns em detrimento de outros», e denunciou que «muitos são esquecidos e poucos usufruem de benesses e regalias»; é por isso que «a vida é fácil para grupos e a maioria continua refém de necessidades essenciais».

«As mãos do Samaritano» solicitam às comunidades cristãs mais ação «sem medos nem complexos, como tradução de uma Doutrina Social nascida do Evangelho genuíno», chamada a «lutar pela dignidade de todos, não permitindo marginalidade nem exclusão de qualquer género», através da «participação responsável nos destinos da história da Humanidade civil e religiosa».

A «abnegação de muitos» em «tempos tão difíceis» como os atuais, «entre tanto sofrimento passado e tanta interrogação para o futuro», foi agradecida pelo cardeal-patriarca de Lisboa.

«Não os procuremos por de fora, mas aí mesmo onde se somam diariamente gestos solidários, saúdes cuidadas, solidões acompanhadas e trabalhos mantidos. Em tudo o que houver de vida entregue, aí mesmo a cruz triunfa agora. A cruz de Cristo, que salva a cruz do mundo», assinalou D. Manuel Clemente.

Ao vínculo entre a cruz e a angústia e a urgência de a aliviar referiu-se também o bispo de Angra, D. João Lavrador: «Este é o tempo a escutar a palavra, ao silêncio, à contemplação, ao reconhecimento de todos aqueles que hoje carregam a cruz do sofrimento, da exclusão e do desespero para aprendermos de Jesus de Nazaré o autêntico caminho do encontro, da proximidade, numa palavra, do amor».

Da injustiça e violência da crucificação, evocativas daquelas que se perpetuam pelos séculos, não advém mais cólera, crueldade ou indiferença: «[A cruz] tornou-se o símbolo dessa nova atitude que nos choca pela imensa bondade e nos cativa pela infinita amabilidade», apontou o bispo do Porto.

«Colocada bem no alto do monte Calvário, a cruz é farol para uma humanidade que precisa de encontrar um sentido para a vida: é farol que guia o itinerário, atrai o olhar e ilumina a rota», acentuou D. Manuel Linda.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Arquidiocese de Braga, Patriarcado de Lisboa, Igreja Açores, Diocese do Porto
Imagem: morobuat/Bigstock.com
Publicado em 28.03.2021

 

 
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