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Resvalar para a mundanidade é cair, «com anestesia», numa lenta apostasia

Deixar-se resvalar lentamente no pecado, relativizando os acontecimentos e entrando «em negociação» com os deuses do dinheiro, da vaidade e do orgulho: o papa alertou hoje para aquela que definiu como uma «queda com anestesia».

Ao comentar, na homilia da missa a que presidiu, a primeira leitura bíblica proclamada nas eucaristias desta quinta-feira (1 Reis 11,4-13), Francisco sublinhou que ela narra «a apostasia, digamos assim», do rei Salomão, filho do monarca David.

Quando envelheceu, as suas mulheres fizeram-lhe «desviar o coração» do Deus de Israel para outros deuses, e dessa forma «entrou o paganismo na sua vida». «Não foi uma apostasia de um dia para o outro, foi uma apostasia lenta.»

«Isto acontece na nossa vida. Nenhum de nós é um criminoso, nenhum de nós comete grandes pecados, como fez David com a mulher de Urias, ninguém. Mas onde está o perigo? Deixar-se resvalar lentamente, porque é uma queda com anestesia, não te dás conta, mas lentamente resvala-se, relativizam-se as coisas e perde-se a fidelidade a Deus», observou.

Francisco prosseguiu: «Quantas vezes nós esquecemos o Senhor e entramos em negociação com outros deuses: o dinheiro, a vaidade, o orgulho. Mas isto faz-se lentamente, e se não há a graça de Deus, perde-se tudo».



«Não se pode estar bem com Deus e com o diabo. Isto é o que dizemos todos quando falamos de uma pessoa que é um pouco assim: “Aquela está bem com Deus e com o diabo”. Perdeu a fidelidade»



Aprender a agir como os pagãos significa fazer-se mundano: «E para nós este resvalar lento na vida é para a mundanidade, este é o pecado grave: “Todos fazem assim, não há problema; sim, é verdade que não é o ideal, mas…”. São palavras que nos justificam ao preço de perder a fidelidade ao único Deus. São os ídolos modernos».

É o «pecado da mundanidade» que conduz a que se perca «o genuíno do Evangelho, o genuíno da Palavra de Deus», a que se perca «o amor» de Deus «que deu a vida» por cada ser humano, apontou.

«Não se pode estar bem com Deus e com o diabo. Isto é o que dizemos todos quando falamos de uma pessoa que é um pouco assim: “Aquela está bem com Deus e com o diabo”. Perdeu a fidelidade», vincou.

Retomando a primeira leitura, o papa desafiou: «Pensemos neste pecado de Salomão, pensemos em como caiu aquele Salomão sábio, abençoado pelo Senhor, com todas as heranças do pai David, como caiu lentamente, anestesiado para esta idolatria, para esta mundanidade, e lhe foi tirado o reino».

«Peçamos ao Senhor a graça de compreender quando o nosso coração começa a fraquejar e a resvalar, para nos determos. Serão a sua graça e o seu amor a deter-nos, se nós lhe rezarmos», concluiu Francisco.


 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 13.02.2020

 

 
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