

"Os olhos de André" (fotograma) | D.R.Em plena edição de 2016 do festival de cinema IndieLisboa, que volta a contar com dois prémios Árvore da Vida, atribuídos pela Igreja católica, inserimos uma cena de "flashback" para recordar o filme distinguido o ano passado, "Os olhos de André", de António Borges Correia.
Na noite da revelação e entrega dos prémios, a 3 de maio, o realizador contou como nasceu a sua cumplicidade com a distinção que privilegia valores espirituais e humanistas, concedida pelos Secretariados Nacionais da Pastoral da Cultura e das Comunicações Sociais.
«Quando eu tive acesso ao catálogo do festival, antes de ele começar, e vi os prémios que existiam, o que li do Árvore da Vida fez-me pensar que era o que mais gostava de ter, porque achei que o filme estava muito mais identificado com ele do que com outros», afirmou à Pastoral da Cultura.
«Estou muito feliz, mais pelo filme do que por mim, e mais pela família que trabalhou comigo, que fez os seus próprios papéis. É a história de uma família que, com quatro filhos, vê o mais novo a ser retirado para uma família de acolhimento, e tenta recuperar esse irmão para o seu seio», explicou o cineasta.
Na ficção que se baseia em acontecimentos reais, filmada durante duas semanas em Arcos de Valdevez, «um pai tenta reconstruir a sua vida, depois de uma separação, para acolher o seu filho André e voltar a unir uma família», lê-se no resumo do filme de 65 minutos, que além do prémio Árvore da Vida, no valor de dois mil euros, ganhou o galardão para melhor longa-metragem portuguesa e o prémio TAP.
«O que me interessou principalmente nesta história foi o facto de o tribunal ter pedido um teste de paternidade ao pai, e ele ter recusado. Recusou porque não lhe interessava saber se o filho era biológico ou não. Isto interessou-me porque ele tinha um amor incondicional por esse filho. Então perguntei ao pai, o António, se estava interessado em trabalhar comigo num filme de ficção, mas com a história dele. É um filme sobre a família, talvez não tanto sobre a instituição família, mas é sobretudo um filme sobre o amor», afirmou.
Na justificação do prémio Árvore da Vida, o júri sublinhou a «sensibilidade» do filme, com «grande espontaneidade e transparência interpretativa». O resultado, que enaltece o papel da família como pilar da sociedade, foi um «conjunto estético equilibrado, com silêncios carregados de espiritualidade».
«O facto de eu me ter interessado pela história é porque eu me preocupo com o valor da família e a sua função na sociedade», apontou António Borges Correia, que também se referiu à espiritualidade do protagonista e às cenas que concebeu para a tornar patente aos espetadores.
E aqui termina o «flashback»: regressamos à edição de 2016 do IndieLisboa, após o visionamento, este domingo, do primeiro dos filmes concorrentes ao prémio Árvore da Vida, "O lugar que ocupas", de Pedro Filipe Marques. O programa dos jurados prossegue na terça-feira, com "Treblinka", realizado por Sérgio Tréfaut. As exibições de curtas e longas-metragens continuam até sexta-feira, e a cerimónia de encerramento e de revelação dos prémios realiza-se no domingo, 1 de maio, às 18h30, na Culturgest.
Em declarações à Pastoral da Cultura, Nuno Sena, um dos organizadores do IndieLisboa, mostrou-se satisfeito com a presença de público nesta edição, que começou quarta-feira.
O responsável também enalteceu o empenho com que o júri do prémio Árvore da Vida na secção IndieJúnior, composto por estudantes do 9.º ano do Externato de S. José e por um tutor da mesma instituição, encarou a preparação para o festival.
Rui Jorge Martins
"Os olhos de André" (fotograma) | D.R.