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Quando a Igreja dinamiza arte e cultura, pode nascer o milagre

Numa pequena povoação montanhosa do norte de Itália, a arte faz um milagre: revitalizar uma comunidade que, na preparação de importantes exposições, encontra o sentido do trabalho em conjunto e da partilha. O projeto, animado por um padre responsável pela Pastoral da Cultura diocesana, traduziu-se num filme que teve antestreia esta quarta-feira, na Filmoteca do Vaticano.

“Dieç – O milagre de Illegio” é um documentário de 70 minutos do realizador Thomas Turolo (n. 1980), que descreve a experiência vivida entre o outono e a primavera por uma vila a norte de Veneza, tendo como protagonista alguns dos seus habitantes.

Tudo nasceu de um projeto artístico, cultural e pastoral que consiste em organizar anualmente uma mostra dedicada a um tema fundamental da existência humana, com obras de relevo emprestadas por alguns dos museus mais conceituados da Itália e da Europa. O título da próxima exposição, a inaugurar em maio, é “Pais e filhos”.

Foi uma aposta arriscada lançada em 2004, mas que graças ao reconhecimento positivo obtido desde logo, tornou-se uma iniciativa possível, que se tornou uma fonte de renascimento e crescimento da comunidade local, bem como de requalificação de uma região.



«É o milagre que a Providência realizou nesta pequena e deliciosa região, onde habitam 340 pessoas e onde a estrada termina. Nos últimos anos foram até lá acima 400 mil pessoas, e estas pessoas foram-se embora levando no coração uma reviravolta e uma verdadeira graça de caráter espiritual. Este é o milagre»



Uma das “formigas” deste projeto é o P. Alessio Geretti, professor de teologia dogmática e de iconografia cristã em Udine, e referente da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Italiano, com o apoio do Comité de San Floriano, co-fundado pelo pároco de Illegio, Ângelo Zanella, e da diocese de Udine.

No filme comparecem alguns dos rostos da povoação, como os proprietários de um bar, uma fotógrafa, um jovem agricultor, a par de duas mulheres idosas que são a memória da comunidade. Mais de 100 pessoas estão envolvidas na organização da mostra e nas atividades com ela relacionadas.

«É o milagre que a Providência realizou nesta pequena e deliciosa região, onde habitam 340 pessoas e onde a estrada termina, e que não era certamente uma meta de turismo e peregrinação, apesar de ser belíssima e guardar um património importante de natureza, cultura, tradição, oração, arte e arqueologia. No entanto, nos últimos anos foram até lá acima 400 mil pessoas, e estas pessoas foram-se embora levando no coração uma reviravolta e uma verdadeira graça de caráter espiritual. Este é o milagre», afirma o P. Geretti.

Anualmente são expostas uma média de 50 obras-primas de autores como Refael, Botticelli, Ticiano, Veronese, Rembrandt, Rubens e Caravaggio: «Parece incrível que tudo isto seja possível numa pequena povoação de montanha, naquela que antes era a casa paroquial, a casa dos padres da região, e numa comunidade que está num contexto marcado pelo despovoamento, tristeza, abandono, ainda que maravilhoso e ainda repleto de recursos».



«Cada um procura cuidar do seu pátio, da sua casa, da beleza da povoação. Há aqueles que se disponibilizam para acompanhar os visitantes a descobrir a região ou as escavações arqueológicas, os moinhos, as atividades. Portanto há uma maior riqueza em termos culturais, humanos, sociais, antes de tudo»



«Mas o Senhor inspirou-nos a tornarmo-nos Igreja em saída, periferia criativa e sinal de esperança, prova belíssima de que quando uma comunidade é genuína, ainda que com alguns pequenos defeitos, mas com certeza genuína e unida, com uma bela motivação espiritual, uma consciência forte da sua missão cristã, pode verdadeiramente acontecer um grande prodígio, pode inverter o rumo que lhe parecia marcado para o declínio, e realizar algo de comovente», assinala.

A exposição, que durante cinco meses expõe obras de museus como o Vaticano, Louvre e Prado, atrai cerca de 50 mil pessoas por ano, estimulando as energias dos habitantes: «Cada um procura cuidar do seu pátio, da sua casa, da beleza da povoação. Há aqueles que se disponibilizam para acompanhar os visitantes a descobrir a região ou as escavações arqueológicas, os moinhos, as atividades. Portanto há uma maior riqueza em termos culturais, humanos, sociais, antes de tudo».

«Obviamente há também trabalho e microeconomia que é relançada e se desenvolve, e que traz, entre outras coisas, um benefício que se estende para além dos limites de Illegio, porque muitas das pessoas que vêm à exposição têm o prazer de descobrir alguns outros tesouros espalhados pela região», explica.

Sobre o filme, «as reações foram todas de intensa comoção»: «Todos ficaram cativados pela linguagem elegante e poética deste documentário», que «parece verdadeiramente uma parábola espiritualmente tocante», conclui o P. Alessio Geretti.








 

Adriana Masotti
In Vatican News
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Illegio | D.R.
Publicado em 23.03.2019

 

 
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