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Problema da Igreja não é haver poucos católicos, mas serem sal sem sabor

O papa afirmou este domingo que o número reduzido de católicos numa sociedade não é o principal obstáculo à sua missão, mas o de serem incapazes de transformar as estruturas, e reiterou que o diálogo não é uma moda, sendo antes inseparável da identidade da Igreja.

«A nossa missão de batizados, de sacerdotes, de consagrados não é particularmente determinada pelo número nem pela quantidade de espaços que se ocupa, mas pela capacidade de gerar e suscitar mudança, encanto e compaixão, pelo modo como nós, discípulos de Jesus, vivemos no meio das pessoas», declarou Francisco em Rabat, capital de Marrocos, país em que há 0,07 católicos por cem habitantes.

No segundo e último dia da viagem ao território, durante o encontro com sacerdotes, pessoas consagradas e o Conselho Ecuménico das Igrejas, o papa vincou que «o problema não está no facto de serem pouco numerosos, mas de serem insignificantes, tornar-se sal que já não tem o sabor do Evangelho – aqui está o problema –, ou uma luz que já nada ilumina».

Citando o antecessor, Bento XVI, «a Igreja cresce não por proselitismo, mas por atração, por testemunho», o papa frisou que «os caminhos da missão não passam através do proselitismo, que leva sempre a um beco sem saída, mas pelo nosso modo de estar com Jesus e com os outros».

«A preocupação surge quando nós, cristãos, somos atormentados pelo pensamento de que só seremos significativos se constituirmos a massa e ocuparmos todos os espaços. Bem sabeis que a vida depende da capacidade que temos de “levedar” onde e com quem nos encontramos, embora aparentemente não nos traga benefícios tangíveis ou imediatos», salientou.



«Como não evocar a figura de São Francisco de Assis que, em plena cruzada, foi encontrar o Sultão al-Malik al-Kamil? E como não mencionar o Beato Carlos de Foucault que, profundamente tocado pela vida humilde e oculta de Jesus em Nazaré, que adorava em silêncio, quis ser um “irmão universal”?»



Com efeito, Jesus não escolhe os seus discípulos para se tornarem «os mais numerosos»: «Chamou-nos para uma missão. Colocou-nos no meio da sociedade como aquela pequena porção de fermento: o fermento das bem-aventuranças e do amor fraterno, no qual todos, como cristãos, nos podemos unir para tornar presente o seu Reino».

Francisco acentuou também que «afirmar que a Igreja deve entrar em diálogo não obedece a uma moda – hoje está de moda o diálogo. Não! Não depende disso – e, muito menos, a uma estratégia para aumentar o número dos seus membros; nem sequer a uma estratégia. Se a Igreja deve entrar em diálogo, é por fidelidade ao seu Senhor e Mestre, que desde o princípio, movido pelo amor, quis entrar em diálogo como amigo e convidar-nos a participar da sua amizade».

O diálogo «à maneira de Jesus» caracteriza-se por ser «manso e humilde de coração, com amor diligente e desinteressado, sem cálculos nem limites, no respeito pela liberdade das pessoas», bem como através da «oração» pelo povo, independentemente das suas crenças religiosas.

«Como não evocar a figura de São Francisco de Assis que, em plena cruzada, foi encontrar o Sultão al-Malik al-Kamil? E como não mencionar o Beato Carlos de Foucault que, profundamente tocado pela vida humilde e oculta de Jesus em Nazaré, que adorava em silêncio, quis ser um “irmão universal”? Ou então aqueles irmãos e irmãs cristãos que escolheram permanecer solidários com um povo até ao dom da própria vida? Assim, quando a Igreja – fiel à missão recebida do Senhor – dialoga com o mundo e se faz diálogo, participa no advento da fraternidade», apontou.



 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 01.04.2019

 

 
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