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Primeira exposição da Galeria da Universidade Católica destaca a «palavra»

A palavra está no centro da exposição “Os olhos escutam”, a primeira exposição da Galeria da Universidade Católica, em Lisboa, com obras de Corita Kent, Detanico & Lain, Dora Garcia, Fernanda Fragateiro e Tomás Cunha Ferreira, com curadoria de Paulo Pires do Vale.

Na «Universidade Católica Portuguesa, lugar onde se usa a palavra para ensinar, onde se reflete sobre textos e se criam novos discursos críticos capazes de compreender e alterar o mundo», expõem-se «obras de artistas de diferentes gerações, que propõem, com meios muito distintos, uma relação com a escrita, com a palavra, com o livro», escreve o curador.

«Palavras-mensagem, palavras-imagem, palavras-para-interpretar-palavras, palavras-corpo, palavras-fragmentos, palavras-balbucios, palavras-performativas, palavras-acenos, palavras-inacessíveis, palavras-por-vir… Aqui, nesta galeria, os nossos olhos escutam-nas», assinala.

«E enxerto a luz em todo o que nomeio» (Daniel Faria); as palavras «antecedem, sustentam e constroem, são ambíguas, pobres, frágeis», «capazes de dar a vida ou a morte», «religar ou cindir», serem «ruído ou silêncio», prossegue Paulo Pires do Vale.

«Somos feitos de palavras. Com elas damos sentido aos dias, nomeamos e significamos o mundo, narramos o nosso passado, projetamos e antecipamos futuros, tentamos controlar o tempo, abrimos fendas na realidade. Nascer é ser lançado num emaranhado de palavras, numa teia de muitas histórias: as que os pais contam ao adormecer, os mitos fundadores da cultura a que pertencemos, os livros que lemos, os filmes que nos marcaram, as canções que nos acompanham», refere.

Depois de evocar o prólogo do Evangelho segundo S. João - «se no princípio era o “Logos”, e essa Palavra se fez carne, então também a carne tem que se fazer palavra» -, Paulo Pires do Vale interroga: «Mas que relação restabelecemos ainda com a língua numa época de iconocracia? Qual o papel do discurso hoje, quando imperam as imagens? Onde ressoará ainda a palavra?».

“Caminhando ando” é o convite feito à entrada por Tomás Cunha Ferreira. Entramos. Do lado esquerdo, «textos visuais dos séculos XVIII e XX», e a seguir o primeiro de dois filmes: “Joycean society”, de Dora Garcia.



Imagem Sem título (caminhando ando) | Tomás Cunha Ferreira | 2019 | D.R.

Imagem Texto visual | D.R.


O vídeo centra-se num grupo de pessoas que há 30 anos lê “Finnegans wake”, de James Joyce. Leem uma e outra vez, da primeira à última página, e nesse processo levam 11 anos. Uma vez chegados à última palavra, voltam à primeira. O texto parece inesgotável, a sua interpretação infinita, desafiadora a natureza inconclusiva da leitura.

O filme evoca o estudo, a descoberta de múltiplos sentidos no texto, e até a Palavra de Deus e as palavras de Jesus sobre quem a medita: «Todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro».









No centro da sala, “Building blocks (past)”, de Fernanda Fragateiro: «O conhecimento contido na “The Caxton Encyclopedia” está metaforicamente truncado e encerrado em encadernações cúbicas de aço inoxidável polido, refletindo o mundo exterior, sem permitir aceder ao seu conteúdo-interior», escreve Maria Isabel Roque.


Imagem "Building blocks (past) | Fernanda Fragateiro | 2017 | D.R.

Imagem "Building blocks (past)" | Fernanda Fragateiro | 2017 | D.R


“Ulysses”, de Detanico & Lain, mostra o texto das 732 páginas da obra sobre o perfil de uma pessoa em caminho, e ao lado, “Colors organizes by thoughts, 1”, de Fernanda Fragateiro, apresenta o drama (ou provocação, convite) de criar a partir de páginas em branco.









Imagem "Colors organized by thoughts, 1 | Fernanda Fragateiro | 2014 | D.R


Na parede oposta, apresenta-se um conjunto de trabalhos de Corita Kent, religiosa e professora, desde 1948, no Departamento de Artes no Colégio do Imaculado Coração, em Los Angeles, que nos anos 60 ficou conhecida por cruzar a “pop art” com mensagens de natureza política e filosófica, não raro extraídas da Bíblia.



Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R

Imagem Corita Kant | D.R


A exposição “Os olhos escutam” está patente na Galeria Fundação Amélia de Mello (edifício da biblioteca, 1.º piso) até 30 de abril. Entrada livre.



Imagem "Golden sentence (Il y a un trou dans le réel" | Dora Garcia | 2005-2014 | D.R

 

Rui Jorge Martins
Com Maria Isabel Roque (a.muse.art)
Imagem: Obras de Corita Kant | D.R.
Publicado em 28.02.2019

 

 
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