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«Precisamos que sejam varridas do nosso coração e da Igreja as nefastas sugestões do poder e do dinheiro»

O presidente da República pronunciou-se hoje sobre a visita do papa ao Iraque, no dia em que Francisco proferiu lançou um aviso aos católicos e às estruturas eclesiais: «Precisamos que sejam varridas do nosso coração e da Igreja as nefastas sugestões do poder e do dinheiro».

«Sendo a primeira viagem que faz ao estrangeiro desde o início da pandemia, a visita do papa Francisco ao Iraque transmite ao seu povo e ao mundo uma emocionante mensagem de esperança», refere a mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, divulgada na página da Presidência.

A viagem, que começou na sexta-feira e termina amanhã, segunda-feira, «mostra como pode um país, marcado pelos horrores da guerra, fazer da diversidade étnica e religiosa um instrumento permanente de superação e diálogo», acentua o presidente.

A visita, conclui Marcelo Rebelo de Sousa, «revela a importância das palavras e dos atos na construção de um caminho de união, solidariedade e inclusão, pilares estruturantes da paz duradoura e de sociedades mais prósperas e justas».

Na missa a que presidiu no estádio da cidade de Erbil, último compromisso público neste domingo e o penúltimo da viagem, Francisco comentou o Evangelho proclamado nas missas de hoje, em que Jesus, no templo de Jerusalém, expulsou os comerciantes e derrubou as suas bancas (João 2, 13-25).



Só fixando o coração em Jesus é possível contrapor à «espiral de retaliações sem fim» o testemunho de que «o Evangelho tem o poder de mudar a vida», tornando os cristãos, no Iraque e em todo o mundo, «artífices pacientes e corajosos duma nova ordem social»



«Como Jesus não tolerou que a casa de seu Pai se tornasse um mercado, assim deseja que o nosso coração não seja um lugar de turbulência, desordem e confusão. O coração deve ser limpo, posto em ordem, purificado. De quê? Das falsidades que o sujam, das simulações da hipocrisia. Todos nós as temos», assinalou.

«Precisamos de ser purificados das nossas seguranças falaciosas, que trocam a fé em Deus pelas coisas que passam, pelas conveniências do momento. Precisamos que sejam varridas do nosso coração e da Igreja as nefastas sugestões do poder e do dinheiro. Para limpar o coração, precisamos de sujar as mãos: sentirmo-nos responsáveis e não ficarmos parados enquanto sofrem o irmão e a irmã», acentuou.

Só fixando o coração em Jesus é possível contrapor à «espiral de retaliações sem fim» o testemunho de que «o Evangelho tem o poder de mudar a vida», tornando os cristãos, no Iraque e em todo o mundo, «artífices pacientes e corajosos duma nova ordem social», reunidos em comunidades «formadas por pessoas humildes e simples» que se tornam «sinal do Reino que vem, Reino de amor, justiça e paz».

No final da missa, o papa encontrou-se com Abdullah Kurdi, pai de Alan, a criança de três anos que se afogou, com o irmão e a mãe, na costa da Turquia, mar Mediterrâneo, em setembro de 2015, quando tentavam chegar à Europa. Abdullah Kurdi ofereceu a Francisco uma pintura que retrata o filho.

Depois da celebração, Francisco embarcou para Bagdade, onde pernoita. Na segunda-feira deixa a capital iraquiana, de regresso a Roma, onde se espera que chegue pelas 11h55 (hora de Lisboa).



Imagem Abdullah Kurdi, Papa Francisco | Erbil, Iraque | 7.3.2021 | © Vatican News

Imagem Mapa da visita do papa Francisco ao Iraque | 5-8.3.2021

 

Rui Jorge Martins
Fontes: Sala de Imprensa da Santa Sé, Presidência da República
Imagem: "Expulsão dos cambistas do templo" (det.) | Luca Giordano | C. 1670 | Museu Hermitage, S. Petersburgo, Rússia
Publicado em 07.03.2021

 

 

 
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