Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Por detrás das máscaras

O uso de máscaras faciais tornou-se uma das características mais marcantes da pandemia Covid-19.  No futuro distante, as fotografias das pessoas a utilizar máscaras serão um sinal que continuará a despertar reações de espanto ou admiração. Porquê? Não se trata de uma opção ditada pela moda, nem de uma livre escolha, por mais conscientes que sejam. As máscaras falam por si mesmas, mais do que os lábios escondidos possam expressar. As máscaras para conter a pandemia revelam, ao invés de esconder.

Hoje, o termo máscara faz-nos pensar imediatamente na máscara facial usada na pandemia, mas ele tem várias expressões e significados, de acordo com o tipo de máscara e a situação de quem a utiliza. Basta lembrar as máscaras carnavalescas, as de teatro, ou de cerimónias rituais, em algumas culturas.

Contudo, há uma aceção bastante negativa quando designam o que esconde a identidade, para enganar, ocultar interesses ou praticar crimes. Esse sentido pejorativo de “máscara” parecia predominar, na linguagem coloquial até à pandemia, com as expressões «cair a máscara» ou «tirar a máscara», para revelar quem alguém é de facto, ou quais são os seus verdadeiros interesses.

A máscara recomendada ou exigida como medida de saúde pública, durante a pandemia, revela e “desmascara”. Por detrás dela está alguém que tem senso de amor e responsabilidade pela própria vida e pela vida de quem ama. Expressa amor, cuidado consigo e com o outro, responsabilidade, capacidade de fazer renúncias pelo próprio bem e pelo bem do próximo.

As pessoas que utilizam máscaras faciais nas igrejas, e que compõem uma cena comum nos nossos dias, expressam o louvor ao Criador não somente com os lábios, mas com o coração e a vida, através de um gesto aparentemente simples, mas importante e eficaz para preservar a vida e a saúde de quem ora, da própria comunidade orante e da sociedade em geral.

Todavia, o reconhecimento da importância do uso da máscara facial não implica restringir a ela as medidas sanitárias. Infelizmente, muitas pessoas parecem julgar que basta usar a máscara e tudo o mais é permitido, isto é, não observam outras regras fundamentais de saúde, como o distanciamento social, a não aglomeração e a higienização das mãos. Esse comportamento tende a piorar, com o passar do tempo, nas etapas de flexibilização das medidas restritivas.

Não nos podemos cansar de lutar contra a Covid-19, seguindo as recomendações de saúde pública. Com fé em Deus e os esforços de todos, venceremos a pandemia.  Por detrás das máscaras, há uma multidão de profissionais da saúde que se dedicam generosamente a cuidar dos doentes. Por detrás das máscaras, há uma multidão que ama a vida e sente-se responsável por preservá-la. Por detrás das máscaras, há amor e responsabilidade pela vida!


 

Card. Sergio da Rocha
Arcebispo de Salvador, Brasil
In CNBB
Imagem: Torres Vedras, 2021 | katya.pt/Bigstock.com
Publicado em 16.02.2021

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos