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Pessoas não são números e privatizar saúde tem perigos para doentes e médicos, alerta papa

«Cada indivíduo, sobretudo quem é último, não é um número, mas uma pessoa, única e irrepetível», vincou hoje o papa, numa intervenção em que reiterou o direito à objeção de consciência, que hoje se coloca em causa, sobretudo quando é «colocada em perigo a dignidade da vida humana».

Ao receber, no Vaticano, membros de uma associação católica de operadores na área da saúde, Francisco referiu que a empresarialização dos cuidados médicos «pôs em primeiro plano as exigências de redução dos custos e racionalização dos serviços», o que, como explicitou, prejudica não só os utentes, como também os cuidadores.

Aquela tendência «mudou profundamente a aproximação à doença e ao próprio doente, com uma preferência pela eficiência que não raro colocou em segundo plano a atenção à pessoa, que tem a exigência de ser compreendida, escutada e acompanhada, tanto quanto precisa de um correto diagnóstico e de uma cura eficaz».

«O doente não pode ser tratado como uma máquina, nem o sistema de saúde, público ou privado, pode conceber-se como uma linha de montagem. As pessoas nunca são iguais entre elas, devem ser compreendidas e curadas uma por uma», frisou.



«Para manterdes sempre vivo o vosso espírito, exorto-vos a serdes fiéis à oração e a alimentar-vos da Palavra de Deus: sempre com o Evangelho no bolso, sempre ao alcance da mão: cinco minutos, lê-se, entrando assim em nós a Palavra de Deus»



Esta exigência, prosseguiu o papa, pede aos operadores de saúde um «empenho notável, que muitas vezes não é compreendido e suficientemente apreciado», especialmente em instituições que priorizam o lucro.

«Com efeito, num ambiente onde o doente se torna um número, também vós [operadores de saúde] arriscais sê-lo, e serdes “queimados” por turnos de trabalho excessivamente duros, pelo stress das urgências ou pelo impacto emotivo», apontou.

Referindo-se à objeção de consciência, Francisco acentuou que é bom «procurar sempre o diálogo, sobretudo com aqueles que têm posições diferentes, colocando-se à escuta dos seus pontos de vista e procurando transmitir» o próprio, «não como quem sobe à cátedra, mas como quem busca o verdadeiro bem das pessoas».

«Fazer-se companheiros de viagem de quem está ao lado, em particular dos últimos, dos mais esquecidos, dos excluídos: este é o melhor modo para compreender a fundo e com verdade as diferentes situações e o bem moral que lhes é inerente», afirmou.

A formação dos católicos que trabalham nos serviços de saúde deve, além do estudo e atualização dos conhecimentos técnicos, dar «particular atenção à espiritualidade», que é uma «dimensão fundamental da pessoa, muitas vezes negligenciada», mas «muito importante, sobretudo para quem vive a doença ou está próximo de quem sofre».

«Para manterdes sempre vivo o vosso espírito, exorto-vos a serdes fiéis à oração e a alimentar-vos da Palavra de Deus: sempre com o Evangelho no bolso, sempre ao alcance da mão: cinco minutos, lê-se, entrando assim em nós a Palavra de Deus. Inspire-vos o exemplo de constância e dedicação dos santos: muitos, entre eles, serviram com amor e desinteresse precisamente os doentes, especialmente os mais abandonados», assinalou.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: JacobLund/Bigstock.com
Publicado em 17.05.2019

 

 
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