Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela
Quando estavam perto da porta da cidade,
viram que levavam um defunto a sepultar,
filho único de sua mãe, que era viúva;
e, a acompanhá-la, vinha muita gente da cidade.
Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe:
«Não chores.» Aproximando-se, tocou no caixão,
e os que o transportavam pararam.
Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»
O morto sentou-se e começou a falar.
E Jesus entregou-o à sua mãe. (Lc 7, 12-15)
Depressa a misericórdia divina verga ao choro desta mãe. Viúva, a doença e a morte do seu único filho despedaçaram-na e a multidão que rodeia o cortejo fúnebre dá testemunho da sua perfeita honestidade. Esta viúva, rodeada pela multidão das gentes, é mais do que uma simples mulher que merece pelas suas lágrimas a ressurreição do seu filho novo e único. É a imagem mesma da Santa Igreja que com as suas lágrimas consegue chamar à vida, no meio do cortejo fúnebre e do aparato do túmulo, o novo povo deste mundo, que, porque será ressuscitado, não mais poderá chorar.

Porque à palavra de Deus os mortos ressuscitam, o filho morto recupera a voz e a mãe recupera o seu filho. Foi chamado da sepultura, foi arrancado ao túmulo. Que é este túmulo, para nós, senão os nossos maus hábitos?... É desta sepultura que Cristo nos liberta; saíreis da tumba se ouvirdes a palavra de Deus. E se o vosso pecado é demasiado grande para que o possam lavar as lágrimas da penitência, que possam intervir por vós as lágrimas da Igreja, Vossa Mãe... Intercede por cada um dos seus filhos, como outros tantos filhos únicos. Ela é a cheia de compaixão que experimenta uma dor espiritual e maternal quando os seus filhos são arrastados para a morte pelo pecado mortal.
Santo Ambrósio
08.04.09








