Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Papa prefacia “Bíblia da amizade”, comentada por judeus e cristãos

«A “Bíblia da Amizade” é um projeto atraente mas muito exigente. Estou bem consciente de que temos atrás de nós 19 séculos de antijudaísmo cristão e que poucas décadas de diálogo são bem pouco em relação a isso.»

É nestes termos que o papa Francisco inicia o prefácio à “Bíblia da Amizade – Trechos da Torah/Pentateuco comentados por judeus e cristãos”, que estará disponível a partir de sexta-feira, em Itália (ed. San Paolo, 361 pp., 30 €), projeto executado com o apoio da Conferência Episcopal Italiana.

«Todavia, nestes últimos tempos muitas coisas mudaram, e outras ainda estão a mudar. É preciso trabalhar com maior intensidade para pedir perdão e para reparar os danos causados pela incompreensão», assinala o papa.

Para Francisco, «os valores, as tradições, as grandes ideias que identificam o judaísmo e o cristianismo devem ser colocados ao serviço da humanidade, sem nunca esquecer a sacralidade e a autenticidade da amizade».

O papa acentua que a Bíblia contribui para «compreender a inviolabilidade» daqueles valores, «premissa necessária para um diálogo construtivo».

«O melhor modo para dialogar, todavia, não é só falar e discutir, mas fazer projetos, realizando-os juntamente com todos aqueles que têm boa vontade e respeito recíproco na amizade», observa Francisco.



É de «vital importância, para os cristãos, descobrir e promover o conhecimento da tradição judaica para conseguir compreender mais autenticamente a si próprios», pelo que o estudo da Torá é parte desse «empenho fundamental»



Com efeito, prossegue, «existe uma rica complementaridade» que permite «ler em conjunto os textos da Bíblia judaica», permitindo a hebreus e cristãos «desviscerar as riquezas da Palavra de Deus».

«O objetivo comum é o de ser testemunhas do amor do Pai em todo o mundo. Para o judeu como para o cristão não há dúvida de que o amor a Deus e ao próximo resumem todos os mandamentos», lê-se.

Judeus e cristãos devem sentir-se «irmãos e irmãs, unidos pelo mesmo Deus e por um rico património espiritual comum, sobre o qual se funda e continua a construir o futuro», com «perseverança».

Francisco está convicto de que é de «vital importância, para os cristãos, descobrir e promover o conhecimento da tradição judaica para conseguir compreender mais autenticamente a si próprios», pelo que o estudo da Torá é parte desse «empenho fundamental».

«Por isso, quero confiar o vosso caminho de investigação às palavras da invocação que cada fiel judeu recita diariamente no termo da oração da “amidah”: “Que sejam abertas as portas da Torá, da sabedoria, da inteligência e do conhecimento, as portas do alimento e do sustento, as portas da vida, da graça, do amor e da misericórdia e do acolhimento favorável diante de ti”», escreve o papa.

A “Bíblia da Amizade” propõe um texto que pode «ser lido e analisado num diálogo franco, no qual cada se esforça por compreender o outro», escreve o rabino Abraham Skorka, amigo de longa data do papa Francisco e reitor do Seminário Rabínico Latino-Americano, em Buenos Aires.

Organizada por Marco Cassuto Morselli e Giulio Michelini, a obra conta com cerca de 50 comentadores.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: L'Osservatore Romano
Imagem: Marc Chagall
Publicado em 16.01.2019

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos