Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Arte e espiritualidade: Papa oferece escultura de Cristo a centro de detenção de menores

O papa ofereceu hoje uma escultura de Cristo, em ferro forjado, ao centro de detenção de menores onde celebrou a liturgia penitencial com jovens privados de liberdade, em Pacora, a 40 km da cidade do Panamá.

A cruz, concebida por Pietro Lettieri, artesão italiano que trabalha o ferro há quatro décadas, «é o fruto da experiência com que foram sabiamente manipulados o martelo, a bigorna, o alicate e as pinças», refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

É através do uso daquelas ferramentas que «de metal frio, mas ao mesmo tempo flexível, o ferro assume formas sempre diferentes, que requerem labor, paixão e engenho».

«Ainda que no primeiro impacto esta Cruz, forjada à mão com golpes de mestre, conduza a pensar numa clássica representação em chave contemporânea de um Jesus Cristo na cruz, as reais intenções do autor foram bem diferentes», explica o texto.

Ao observar bem, «pode notar-se que este homem de rosto torturado pela dor não foi crucificado a uma cruz tradicional, mas a um ramo de oliveira, que expande perfeitamente em torno a si as suas raízes».

«Do ponto de vista iconográfico, com efeito, esta cruz tem um significado teológico muito profundo, já que através do sacrifício de Cristo, que subiu ao Calvário pela Redenção dos pecados de toda a humanidade, instaurou-se novamente uma “paz” entre Deus e o Homem; a mesma que, segundo o Antigo Testamento, se tinha instaurado após três dias de dilúvio universal, no caso mediante o regresso à arca de Noé de uma pomba com um ramo de oliveira no bico», assinala a nota.

Com esta narrativa bíblica, «a oliveira assumiu quer o significado de “regeneração”, porque a Terra, após a destruição do dilúvio, voltava a florir, quer o de “paz”, porquanto atestava o fim do castigo e a reconciliação com Deus».

A partir do livro do Génesis, onde se lê a epopeia de Noé, «a magnificência da oliveira é citada na Bíblia cerca de 70 vezes, e sempre como metáfora de salvação e prosperidade», como acontece no Salmo 128, em Oseias 13,6-7 e no primeiro livro dos Reis (6,31-33).

«Tornada por isso uma planta sagrada, sagrado é também o óleo que vem do seu fruto, e que serve para o Crisma, usado na liturgia do Batismo, do Crisma, da Consagração [ordenação] e da Unção dos Doentes. O próprio nome de Jesus, Christos, quer dizer simplesmente “ungido”, assinala a explicação.

Na cruz oferecida pelo papa, «ferro, fogo e conhecimento teológico encontraram síntese e harmonia perfeitas», conclui a nota de imprensa.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: D.R.
Publicado em 25.01.2019

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos