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Papa Francisco batizou gémeas siamesas separadas

O papa Francisco batizou, a 6 de agosto, no Vaticano, as irmãs gémeas siamesas da República Centro-Africana, que a 5 de junho foram separadas através de uma intervenção cirúrgica realizada no hospital pediátrico Bambino Gesù, em Roma, pertencente ao Vaticano.

A revelação foi feita por Antoinette Montaigne, política centro-africana e ex-ministra da Comunicação do país, hoje empenhada no seu país na Academia pela Paz, que publicou uma fotografia após a celebração realizada na capela da Casa de Santa Marta, anuncia hoje a agência noticiosa italiana ANSA.

A operação, da qual não há registo na literatura científica, foi concretizada após mais de um ano de estudo através de várias fases cirúrgicas, nas quais se separaram as duas meninas craniópagas totais posteriores, uma das mais raras e complexas formas de fusão cranial e cerebral, explica o hospital.

Posicionadas nuca contra nuca, as irmãs, que recentemente completaram dois anos, tinham em comum a caixa craniana e grande parte do sistema venoso, as crianças foram submetidas a três intervenções «delicadíssimas», a última das quais a 5 de junho, que requereu 18 horas e exigiu o envolvimento de mais de 30 pessoas, entre médicos e enfermeiros.



Imagem © Ospedale Pediatrico Bambino Gesù


Esta história, até agora feliz, começou em julho de 2018, quando a presidente do hospital, Mariella Enoc, se deslocou a Bangui, capital da República Centro-Africana, para seguir os trabalhos de ampliação da estrutura pediátrica desejada pelo papa Francisco. É lá que encontra as duas gémeas recém-nascidas, e assume a tarefa de as levar para Roma, para lhes dar maiores possibilidades de sobrevivência.

«Quando se encontram vidas que podem ser salvas, faça-se. Não podemos e não devemos voltar os olhos para o outro lado», declarou a responsável da instituição, que até então tinha realizado três intervenções para separar siameses, a primeira das quais na década de 80.

Ervina e Prefina tinham nascido a 29 de junho, no centro médico de Mbaiki, a 100 km de Bangui, cidade onde o papa Francisco deu início ao Jubileu da Misericórdia, em 2015, abrindo a porta santa da catedral. Como não houve qualquer diagnóstico pré-natal, a mãe, Ermine, e os médicos só descobriram no parto que se tratava de duas gémeas siamesas. Como as pequenas instalações de saúde não tinham possibilidades de assegurar o seguimento da situação, a família foi transferida para a capital.

A mãe e as gémeas chegaram a Itália a 10 de setembro de 2018, no contexto das atividades internacionais do hospital da Santa Sé. Após alguns meses, durante os quais começaram o itinerário de neuroreabilitação, as crianças foram transferidas para o departamento de Neurocirurgia.



Imagem © Ospedale Pediatrico Bambino Gesù


Os primeiros exames comprovaram que estavam de boa saúde, com os parâmetros neurológicos e clínicos normais, mas o coração de uma das crianças trabalhava mais para manter o equilíbrio fisiológico dos órgãos de ambas.

A primeira operação decorreu em maio de 2019, e a segunda em maio deste ano. «Foi um momento emocionante, uma experiência fantástica, irrepetível. Era um objetivo muito ambicioso, e fizemos tudo para o alcançar, com paixão, otimismo e alegria. Partilhando todas as passagens, estudando juntos cada mínimo detalhe», afirmou o responsável pela unidade de Neurocirurgia, Carlo Marras.

O programa de neuroreabilitação prossegue, e durante os próximos meses as crianças têm de usar um capacete de proteção. Os controlos pós-operatórios indicam que os cérebros estão íntegros, o fluxo sanguíneo adaptou-se ao novo percurso. As suas condições permitem-lhe a possibilidade de crescer normalmente, quer do ponto de vista motor, quer cognitivo, seguindo uma vida normal, como todas as crianças da sua idade.

A mãe, Ermine Nzotto, agradeceu ao hospital e às pessoas que cuidaram das crianças, durante a conferência de imprensa que decorreu a 7 de julho: «Ervina e Prefina nasceram duas vezes. Se tivessem ficado em África, não sei que destino teriam. Agora que estão separadas e estão bem, gostaria que fossem batizadas pelo papa Francisco, que sempre assumiu o cuidado pelas crianças de Bangui. As minhas pequeninas podem agora crescer, estudar e tornar-se médicas, para salvar outras crianças».



Imagem © Ospedale Pediatrico Bambino Gesù


O batismo deu a Ermine a «confirmação de que Deus está verdadeiramente próximo dos últimos», lê-se numa carta assinada pela mãe e endereçada ao papa

«Se, amanhã, as minhas filhas puderem fazer parte das crianças mais afortunadas da Terra, isto é, ir à escola e aprender aquilo que ignoro, e que, agora, também eu aspiro a saber, para ser capaz de, no futuro, ler os versículos da Bíblia às minhas filhas, então não foi uma porta santa que o senhor abriu em Bangui em 2015 e que se fechou um ano depois, mas uma ponte para a eternidade por onde podem atravessar os necessitados, como eu o era, e pessoas de boa vontade, como a equipa de médicos que curam as minhas inseparáveis separadas», sublinha a missiva, revelada hoje pelo portal de notícias do Vaticano.

Fundado há 151 anos, o Bambino Gesù foi é considerado o primeiro hospital pediátrico italiano. Em 1924 foi doado à Santa Sé, tornando-se o hospital do papa. É o maior policlínico e centro de investigação pediátrica na Europa, empregando cerca de 3500 profissionais. Quinze por centro dos pacientes são de nacionalidade estrangeira.

A nível internacional, está presente com atividades formativas e assistenciais em 12 países: República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Síria, Jordânia, Camboja, Índia, China, Rússia, Haiti, Equador e Coreia do Sul.









 

Rui Jorge Martins
Fontes: ANSA, Ospedale Pediatrico Bambino Gesù, Vatican News
Imagem: D.R.
Publicado em 10.08.2020

 

 
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