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Papa critica «crueldade» da separação de famílias migrantes e diz que para muros, já chegou o de Berlim

«Não sei o que acontece quando entra esta nova cultura de defender territórios fazendo um muro. Já conhecemos um, o de Berlim, que nos trouxe bastantes dores de cabeça e bastante sofrimento. Mas parece que o que faz o ser humano é o que não fazem os animais: o ser humano é o único animal que cai duas vezes no mesmo buraco.»

O papa voltou a mostrar-se muito crítico em relação aos entraves colocados à entrada de migrantes, nomeadamente entre o México e os EUA, quatro anos depois de ter celebrado missa junto à fronteira norte do país da América Latina, e revelou que o Vaticano está a tentar «trazer» algumas pessoas refugiadas na ilha grega de Lesbos.

Depois de afirmar que não se referia apenas à situação naqueles países, tendo mencionado Ceuta e Melilla, Francisco, em entrevista à estação mexicana Televisa, falou dos dramas familiares dos migrantes: «Separar as crianças dos pais vai contra o direito natural, e esses cristãos… não o podem ser de maneira nenhuma. É cruel. Cai-se na maior crueldade».

Se em vez da jornalista, o papa estivesse diante do presidente dos EUA, Donald Trump, diria «o mesmo», porque o diz «em público». «Também disse em público que quem constrói muros, acaba prisioneiro dos muros que constrói».



Questionado sobre como se sentia quando foi chamado de herege, o papa diz que o encarou com boa disposição, não dando importância: «Além disso, rezo por eles, porque estão equivocados», e alguns estão a ser «manipulados»



Há cada vez «menos ricos com a maior parte da fortuna do mundo. E cada vez mais pobres com menos do mínimo para viver. Ou seja, toda a fortuna está concentrada em grupos bastante pequenos em relação aos outros. E os pobres são mais. Então, claro, os pobres procuram fronteiras, procuram saídas, horizontes novos».

Aos migrantes, primeiro é preciso «ter o coração para acolher; segundo, que bom, “acolhemo-los e deixamo-los” – não. Há que acompanhar, promover e integrar. Todo um processo. E aos governantes digo: vão até onde possam. Nem todos os países podem sem mais. E para isso é necessário o diálogo, e que se ponham de acordo. Há que integrar tudo isso, não é fácil tratar do problema dos migrantes, não é fácil», afirmou, apontando a Suécia como bom exemplo de acolhimento.

Na entrevista o papa falou do «problema muito sério» com as pessoas que regressam ao país após a migração - as mulheres e as crianças são vendidas, os homens são torturados e feitos escravos: «Cuidado também com o repatriar sem segurança».

Francisco considera que é no mundo das finanças que se dão as «as injustiças sociais», e a economia de mercado, como está, «não funciona», e defende que «pode defender-se o território perfeitamente com uma ponte, não necessariamente com um muro», referindo-se a «pontes políticas» e «culturais».

Questionado sobre como se sentia quando foi chamado de herege, o papa diz que o encarou com boa disposição, não dando importância: «Além disso, rezo por eles, porque estão equivocados», e alguns estão a ser «manipulados»: «Sentido de humor e, diria, ternura, ternura paternal. Quero dizer, não me fere nada. O que me fere é a hipocrisia, a mentira, isso fere-me».

Falando sobre a China, Francisco considera as relações «muito boas», manifesta o desejo de a visitar, e sublinha que o Vaticano tem um «intercâmbio cultural impressionante» com o país.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: D.R.
Publicado em 28.05.2019

 

 
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