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Papa alerta para nacionalismos e «holocausto nuclear» e reitera que imigrantes não ameaçam cultura

A questão migratória «é um dado permanente da história humana», e por isso, «todas as nações são fruto da integração de ondas sucessivas de pessoas ou de grupos de migrantes, e tendem a ser imagens da diversidade da humanidade», afirmou hoje o papa.

«O migrante não é uma ameaça à cultura, aos costumes e aos valores da nação que acolhe», tendo o «dever» de «integrar-se na nação que o recebe», mas «integrar não quer dizer assimilar», declarou Francisco ao receber, no Vaticano, os participantes na assembleia plenária da Academia Pontifícia das Ciências Sociais.

Depois de frisar que «o migrante pode apresentar-se e ser reconhecido como uma oportunidade para enriquecer o povo que o integra», o papa lembrou que a autoridade pública tem o dever de o «proteger» e «promover o acolhimento, de modo que as populações locais sejam formadas e encorajadas a participar conscientemente no processo integrativo».

Ao Estado cabe também regular «com a virtude da prudência os fluxos migratórios», e dele se espera, bem como aos intervenientes na ação política, que não esqueçam o que ocorreu quando se suscitam «sentimentos nacionalistas contra outras nações ou grupos de pessoas»: «Sabemos pela história onde conduzem desvios semelhantes; penso na Europa do século passado».



O modo como uma nação acolhe os migrantes revela a sua visão da dignidade humana e da sua relação com a humanidade», até porque ela «não pode ser considerada como um absoluto, como uma ilha em relação ao contexto circundante»



«A Igreja observa com preocupação o ressurgimento, um pouco por todo o lado no mundo, de correntes agressivas contra os estrangeiros, especialmente os imigrantes, como também o crescente nacionalismo que negligencia o bem comum», assinalou.

Para Francisco, o bem comum «deve adquirir uma valência jurídica mais acentuada a nível internacional», o que não equivale «a um universalismo ou a um internacionalismo genérico que passa por cima da identidade de cada povo», a qual deve ser «sempre valorizada».

Em vez de estar «ao serviço da pessoa e dos agrupamentos naturais de pessoas, como a família, o grupo cultural, a nação como expressão da vontade e dos costumes profundos de um povo, do bem comum e da paz», os Estados, «demasiadas vezes», estão subjugados «aos interesses de um grupo dominante, que na maior parte dos casos por motivos de lucro económico, oprime, entre outras, as minorias étnicas, linguísticas ou religiosas».

«Nesta ótica, por exemplo, o modo como uma nação acolhe os migrantes revela a sua visão da dignidade humana e da sua relação com a humanidade», até porque ela «não pode ser considerada como um absoluto, como uma ilha em relação ao contexto circundante», apontou o papa.



«Se, agora, não só na Terra mas também no espaço forem colocadas armas nucleares ofensivas e defensivas, o denominada nova fronteira tecnológica terá aumentado, e não diminuído, o perigo de um holocausto nuclear»



Com a globalização da economia, da tecnologia e da cultura, «o Estado nacional já não é capaz de providenciar sozinho o bem comum », especialmente quando ele se torna «supranacional», como acontece com «a mudança climática, as novas escravidões e a paz».

A mundialização, porém, pode revelar-se perigosa se «nivela as diferenças e sufoca a localização», porque desta forma converte-se em ninho onde nascem e crescem «quer os nacionalismos, quer os imperialismos hegemónicos».

«Para que a globalização possa beneficiar todos, deve pensar-se nela de uma forma poliédrica, apoiando uma saudável luta pelo mútuo reconhecimento entre a identidade coletiva de cada povo e nação, e a própria globalização, segundo o princípio de que o todo vem antes das partes», referiu Francisco.

O papa advertiu para a iminência «inquietante» de um «conflito nuclear», até «pelo possível mau funcionamento de tecnologias muito avançadas mas sempre sujeitas ao imponderável natural e humano»; e acrescentou: «Se, agora, não só na Terra mas também no espaço forem colocadas armas nucleares ofensivas e defensivas, o denominada nova fronteira tecnológica terá aumentado, e não diminuído, o perigo de um holocausto nuclear».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Koenemund/Bigstock.com
Publicado em 02.05.2019

 

 
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