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Pai nosso: és Tu ou sois Vós? Nova tradução da Bíblia dá voz aos leitores

Como se deve tratar Deus: na segunda pessoa do singular ou do plural, acentuando a familiaridade e a proximidade, ou a alteridade e a transcendência? A resposta não se adivinhou unânime para os bispos de Portugal, que por isso decidiram levá-la a votação, entre eles.

O resultado da decisão pode ser lido a partir de hoje, dia da apresentação o primeiro volume de uma nova tradução da Bíblia, com a chancela da Conferência Episcopal Portuguesa, numa sessão que decorre esta manhã na Universidade Católica, em Lisboa, e que, segundo o semanário do patriarcado de Lisboa, "Voz da Verdade", conta com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente.

«Hoje, por norma, os filhos tratam o pai por “tu”, porque isso implica uma intimidade muito mais profunda (…); a exceção são os filhos que tratam os pais por senhor ou vossemecê, como se dizia no meu tempo. Até nisso, nós achamos que era importante evoluir. Posso-vos comunicar que foi uma decisão tomada por votação, na Conferência Episcopal. Não foi de ânimo leve», revelou o biblista e bispo de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira, coordenador da tradução, em entrevista à Agência Ecclesia.

O primeiro livro, referente aos Quatro Evangelhos e aos Salmos, faz parte do projeto de tradução de toda a Bíblia que, segundo o responsável, visa «pôr os cristãos a ler a Bíblia», e eliminar «erros de palmatória» e «contradições».

Depois do longo trabalho que passou pela elaboração de propostas de tradução, e respetiva aprovação ou "chumbo", o texto, no caso dos conteúdos do volume inaugural, foi submetido a um poeta (para os Salmos) e a uma professora universitária de Língua Portuguesa (Evangelhos).



«Tenho dito e continuo a dizer: o biblista deve ser muito humilde e aceitar outras opiniões», sublinha o prelado, que acrescenta: «É uma espécie de orçamento participativo, na linguagem de hoje; na linguagem da Igreja, falaríamos de uma participação sinodal, todos os cristãos têm ocasião de apresentar propostas»



O projeto apresenta «um texto uniforme, traduzido diretamente das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), para uso na liturgia, na catequese e em todas as atividades da Igreja em Portugal e, futuramente, nos outros países lusófonos que seguem a tradução dos livros litúrgicos (Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor)», anunciou o episcopado.

Os leitores não gostam da tradução? Então, não têm de se conformar, porque podem enviar as suas sugestões à Conferência Episcopal. Com efeito, esta é «uma versão experimental», e os organizadores estão «à espera de reações».

«Tenho dito e continuo a dizer: o biblista deve ser muito humilde e aceitar outras opiniões», sublinha o prelado, que acrescenta: «É uma espécie de orçamento participativo, na linguagem de hoje; na linguagem da Igreja, chamar-lhe-íamos uma participação sinodal, todos os cristãos têm ocasião de apresentar propostas».

D. Anacleto Oliveira considera que a Bíblia é «um marco incontornável na cultura portuguesa» e «património mundial», e nesse sentido esta tradução, «oficial», não revela «desprimor» pelas já existentes.

A origem da coleção remonta a 2012, coincidindo com a criação da Associação Bíblica Portuguesa (ABP), encarregada da tradução pelo episcopado, e está a envolver mais de três dezenas de peritos.


 

Edição: Rui Jorge Martins
Fontes: Agência Ecclesia, Voz da Verdade
Imagem: D.R.
Publicado em 25.03.2019

 

 
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