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Pai-nosso, a oração que une Terra e Céu

Senhor, ensina-nos a orar (cf. Lucas 11, 1-13). Tudo ora no mundo: as árvores da floresta e os lírios do campo, montes e colinas, rios e nascentes, os ciprestes sobre os montes e a infinita paciência da luz. Oram sem palavras: «Toda a criatura ora, cantando o hino da sua existência, cantando o salmo da sua vida» (Conferência Episcopal Japonesa).

Os discípulos não pedem ao Mestre uma oração ou fórmulas para repetir, já conheciam muitas, tinham um saltério inteiro a fazer de estrela polar. Mas pedem: ensina-nos a estar diante de Deus como Tu estás, nas tuas noites de vigília, nas tuas cascatas de alegria, com coração de adulto e de criança simultaneamente. «Orar é religar a Terra ao Céu» (M. Zundel): ensina-nos a religar-nos a Deus, como a boca se liga à fonte.

E Ele disse-lhes: quando orardes, dizei “pai”. Todas as orações de Jesus que os Evangelhos nos transmitiram iniciam com este nome. É o nome da fonte, palavra dos inícios e da infância, o nome da vida. Orar é dar de ti a Deus, chamando-lhe “pai”, dizendo-lhe “papá”, na língua das crianças, e não naquela dos rabinos, no dialeto do coração, e não dos escribas. É um Deus que sabe de abraços e de casa; um Deus afetuoso, próximo, quente, de quem se recebem as poucas coisas indispensáveis para viver bem.

Santificado seja o teu nome. O teu nome é “amor”. Que o amor seja santificado sobre a Terra, por todos, em todo o mundo. Que o amor santifique a Terra, transforme e transfigure esta história de ídolos ferozes ou indiferentes.

O teu Reino venha. O teu, aquele onde os pobres são príncipes e as crianças entram primeiro. E seja o mais belo de todos os sonhos, mais intenso que todas as lágrimas de quem vive e morre na noite para o alcançar.

Continua, a cada dia, a dar-nos o pão nosso quotidiano. Estamos aqui, juntos, todos dependentes do Céu. Dá-nos um pão que seja “nosso”, e não só “meu”, pão partilhado, porque se alguém é sábio e outro morre de fome, esse não é o teu pão. E se o pão perfumado, que nos espera no centro da mesa, é demasiado para nós, dá-nos boa semente para a nossa terra; e se um pão já pronto não é coisa de filhos adultos, fornece-nos fermento bom para a dura massa dos dias.

E tira de nós os nossos pecados. Lança-os fora, para longe do coração. Abraça a nossa fragilidade, e nós, como Tu, abraçaremos a imperfeição e a fragilidade de todos.

Não nos abandones à tentação. Não nos deixes sós a salmodiar os nossos medos. Mas toma-nos pela mão, e arranca-nos de tudo aquilo que faz mal, de tudo aquilo que pesa sobre o coração e o envelhece e atordoa.

Pai que amas, mostra-nos que amar é defender cada vida da morte, de todo o género de morte.


 

Ermes Ronchi
Fonte: Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: scaliger/Bigstock.com
Publicado em 25.07.2019

 

 
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