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Padres sobem ao telhado da igreja para celebrar missa e estreiam série sobre o seu dia a dia

Um longo aplauso concluiu a missa deste domingo concelebrada pelos sacerdotes responsáveis pela paróquia de San Gabriele dell’Addolorata, em Roma, proveniente não da assembleia de fiéis próxima dos sacerdotes, transgredindo a interdição de celebrar missas comunitárias, como acontece em Portugal, por causa do coronavírus, mas de pessoas às janelas dos prédios que circundam a igreja.

Iniciada ao toque dos sinos, a eucaristia foi celebrada pelos padres Antonio, Glenn, Simone e Roustaveg, que subiram ao teto da igreja, conseguindo, inclusive, levar uma cruz, apesar da íngreme escada de emergência, e onde montaram o altar, microfone e uma câmara de vídeo, para a transmissão em direto pela internet.

«Se a nossa gente não pode sair de casa, e se nós, padres, não podemos deixar a residência paroquial, nada nos proíbe de chegar ao teto e celebrar a missa de lá», afirmaram.

Apesar de séria, a decisão de “subir aos céus” começou com uma brincadeira: «Na realidade, não anunciámos que a celebração iria ser ao ar livre. Tínhamos apenas realizado um breve vídeo no nosso canal no YouTube e na página do Facebook, em que um dos vigários paroquiais lançava uma aposta ao pároco; e esse ele perdesse, teria de presidir à missa no teto da igreja».










Entretanto, muitos perguntaram-se: mas estão a brincar ou a falar a sério? Não se tem a certeza de que o pároco tenha perdido a aposta; o certo é que a celebração decorreu mesmo junto ao campanário, às antenas e à parabólica. O que os padres não esperavam é que parte da comunidade tivesse seguido a liturgia ao vivo, transformando um canto do bairro em igreja, sem infringir qualquer regra contra o contágio.

«Quisemos tornar tangível a nossa proximidade à paróquia, que conta mais de 13 mil almas. E neste tempo tão complexo, redescobrimos uma certa criatividade pastoral», explicam os sacerdotes.

Será também dela que nasceu a série “Vita di canonica” (que poderia ser traduzida por “Vida de casa paroquial”), com episódios lançados no Facebook e no YouTube que narram o quotidiano dos quatro padres, desde a limpeza à preparação das refeições.

«Numa circunstância marcada pelo medo e pela apreensão, é importante também oferecer um sorriso», sublinham os presbíteros, que acrescentam: «Sobretudo quem está distante da vida eclesial ficou maravilhado».










«Talvez se tenha ainda a ideia do sacerdote semelhante a um “funcionário”, como diria o papa Francisco. Ou talvez de um super-homem. Ao contrário, também nós temos os problemas de qualquer um, ou enfrentamos esta situação ao lado de cada pessoa», afirmam.

Os idosos, em particular, agradecem: «São os mais sós e os mais preocupados por causa da pandemia. E repetem-nos: “A vossa simpática proximidade volta a dar-nos coragem”».

A última proposta da equipa pastoral foi o «almoço comunitário (virtual)» do passado domingo: «Pedimos às famílias para preparar a mesa como se chegasse um hóspede importante, e vestir roupas elegantes. Depois convidámos a tirarem uma “selfie” e a partilhá-la nos grupos paroquiais no Whatsapp», tendo como pano de fundo o moto: «Nós estamos presentes à vossa mesa; e vós à nossa».

Entretanto, todos os dias continuam a soar os sinos ao meio-dia e quando é celebrada a missa. De manhã, o pároco, P. Antonio Lauri, propõe uma reflexão em vídeo com a leitura e comentário do Evangelho, que é difundida na internet, e, semanalmente, é produzida, também para a rede, uma catequese com cerca de 10 minutos, para obviar à ausência dos encontros presenciais.










«Não somos especialistas do planeta digital. Arranjamo-nos com meios pobres e alguns truques. O nosso propósito é dizer a todos que pode haver coisas boas mesmo numa emergência. Não se trata de sobreviver, mas de viver este tempo como uma ocasião para sair da rotina e discernir por nós próprios aquilo que verdadeiramente conta. E a comunidade paroquial também pode sair disto mais sólida e mais unida», assinalam.


 

Giacomo Gambassi
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 17.03.2020 | Atualizado em 29.03.2020

 

 
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