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Onde vive e trabalha o papa Francisco

Capela Sistina

«Extra omnes» (todos fora): com estas palavras em latim, o mestre das cerimónias litúrgicas pontifícias convida todos a deixar a sós os cardeais, e do exterior fecha à chave a porta da capela Sistina. Começa assim o conclave, a eleição do pontífice, cujo decorrer deve permanecer secreto. Ali, sob o olhar ao mesmo tempo severo e misericordioso do Cristo entronizado no centro do fresco do “Juízo universal”, foi eleito, a 13 de março de 2013, o papa Francisco. O anúncio ao mundo foi dado pelo fumo branco saída da chaminé colocada no teto. Trata-se do fumo produzido pelo forno em que se queimam os cartões usados para a eleição.

A partir do fim do século XVI a capela acolheu o conclave 25 vezes, e desde 1878 a eleição decorreu sempre lá. Todavia, a capela é dela sede oficial só desde 1996, por efeito da constituição apostólica “Universi Dominici gregis”, de João Paulo II.

A capela Sistina toma o nome do papa Sisto IV (Francesco della Rovere), que encomendou a construção, entre 1475 e 1481. É, provavelmente, o mais extraordinário concentrado de obras de arte que a humanidade conhece, e normalmente visita-se no percurso dos Museus do Vaticano. Nas paredes admiram-se, no primeiro registo, cenas do Antigo e Novo Testamento, obras de alguns dos mais importantes artistas italianos do Renascimento: Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio, Cosimo Rosselli, Perugino e Luca Signorelli. O teto e a parede do fundo são duas obras-primas de Miguel Ângelo Buonarroti: os “Profetas” e as “Sibilas”, e nove episódios do livro do Génesis, entre os quais a “Criação de Adão”. Na festa do Batismo do Senhor, em janeiro, o papa costuma presidir ao sacramento do Batismo.



Imagem D.R.


Paróquia de Santa Ana

Toda a Cidade do Vaticano tem uma única paróquia: é a igreja de Santa Ana dos Palafreneiros (cuidadores de cavalos), que se encontra a curta distância da porta homónima que é uma das passagens de ligação entre o estado dos pontífices e a Itália, e, portanto é acessível do exterior. Os papas são, consequentemente, paroquianos de Santa Ana, e foi por isso que Francisco nela celebrou a sua primeira missa dominical como papa, a 17 de março de 2013. O pároco do papa é o padre Bruno Silvestrini, da ordem dos Agostinianos. Como em qualquer paróquia, em Santa Ana há catequese para as crianças que residem no Vaticano, existindo ainda um grupo da Cáritas e um coral.



Imagem D.R.


Casa de Santa Marta

O nome oficial é em latim: “Domus Sanctae Marthae”. É dedicada a Marta de Betânia, a irmã de Lázaro, que no Evangelho é símbolo do labor. A residência foi requerida por João Paulo II, tendo sido construída entre 1992 e 1996, sob projeto do arquiteto norte-americano Louis Astorino, para hospedar com maior comodidade os cardeais durante os dias do conclave. Normalmente é utilizada como alojamento para bispos, sacerdotes e leigos, quando têm de residir temporariamente no Vaticano.

Desde 2013 tornou, inesperadamente, também a residência do papa. Francisco preferiu não ocupar o apartamento papal no palácio apostólico, e decidiu dormir no quarto 201, substancialmente igual aos outros, e reconhecível apenas porque a porta é sempre controlada por dois guardas suíços. Trata-se de um miniapartamento com 50 metros quadrados, muito simples, formado por um quarto de dormir dotado de cada de banho, uma pequena sala de estar e de um estúdio, onde o papa trabalha com os secretários durante a tarde. Todos os outros quartos continuam a ser usados como hospedaria, e quem neles reside poderá cruzar-se com o papa no elevador ou no hall. No rés-do-chão da residência encontra-se a capela onde Francisco celebra habitualmente a missa pela manhã, antes do pequeno-almoço. Na sala de refeições comum, numa mesa redonda colocada numa área ligeiramente afastada, o papa toma as refeições juntamente com alguns hóspedes.



Imagem D.R.


Palácio apostólico

Francisco não quis residir no palácio apostólico porque, como explicou, estar no meio das pessoas «faz-me bem e evita que fique isolado». O complexo do palácio é formado por vários edifícios unidos entre eles, realizados entre os séculos XII e XIX (com particular fausto durante o século XVI), e foi a residência de alguns papas do Renascimento, e depois continuamente pelos pontífices desde 1870 a 2013.

Hoje, o apartamento papal privado no terceiro piso (da ala denominada Palácio de Sisto V, com vista para a praça de S. Pedro, é usada por Francisco só para a recitação da oração dominical do meio-dia (Angelus, ou, nas semanas após a Páscoa, Regina Coeli).

A famosa janela à qual se abeiram os pontífices, a segunda da direita para quem olha da praça, é a do estúdio privado dos antecessores de Francisco. A primeira janela da direita é o quarto de dormir onde morreu João Paulo II. Junto ao estúdio encontram-se o gabinete usado atualmente pelos secretários pessoais do papa (o argentino Monsenhor Fabián Pedacchio Leaniz e o egípcio P. Yoannis Lahzi Gaid), e a biblioteca do apartamento privado, onde Francisco reúne o Conselho dos Cardeais.

No piso inferior está o apartamento nobre que deixou de ser usado pelos papas como habitação desde Pio X (1903-14), mas serve como sede de representação. Francisco, como os recentes antecessores, usa este espaço para os encontros com visitas importantes. Na biblioteca privada acontecem as audiências com as personalidades eminentes, como chefes de Estado.

Para as audiências com grupos um pouco mais numerosos, o papa tem à disposição no segundo piso a sala Clementina, que está junto á sala do Consistório, onde Bento XVI anunciou a resignação. Ainda no mesmo piso está a capela Redemptoris Mater, decorada em 1999 com os vivos mosaicos do P. Marko Ivan Rupnik (o mesmo da vasta parede de fundo da basílica da Santíssima Trindade, em Fátima). Aqui Francisco escuta as meditações das sextas-feiras da Quaresma e de Advento propostas pelo pregador da Casa Pontifícia, P. Raniero Cantalamessa.



Imagem D.R.


Basílica de S. Pedro

O papa é a cabeça espiritual da Igreja católica enquanto bispo de Roma. A sua catedral, contrariamente ao que se muitas vezes se pensa, não é a basílica de S. Pedro, mas a de S. João de Latrão, cátedra episcopal de Roma. S. Pedro é, no entanto, a basílica na qual decorre a maior parte das celebrações presididas por Francisco, por ser oficialmente a “capela pontifícia”, em virtude de estar adjacente à habitação do papa.

No centro da basílica, sob a cúpula, está o altar papal, sobre o qual está o baldaquino de Bernini. O altar está sobre o túmulo de S. Pedro, no nível inferior, nas grutas vaticanas, o que confere à basílica outra razão de especial ligação simbólica com os pontífices, sucessores de Pedro. A varanda das bênçãos, na fachada de S. Pedro, é o lugar de onde é proclamado o anúncio «habemus papam», após a eleição no conclave, e de onde o papa saúda pela primeira vez os fiéis. Nas grutas vaticanas encontram-se os túmulos de muitos papas, entre os quais Bento XV, Pio XI, Paulo VI e João Paulo I. João XXIII e João Paulo II estão sepultados na basílica.



Imagem D.R.


Praça de S. Pedro

A praça diante da basílica de S. Pedro foi pensada pelo arquiteto barroco Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) como um extraordinário cenário monumental para grandes celebrações. A colunata pode acolher, como num abraço, dezenas de milhares de fiéis. Ao centro encontra-se um colossal obelisco de granito vermelho levado para a Roma desde o Egito no tempo do imperador Calígula, e que se encontrava já nessa zona quando S. Pedro foi martirizado.

Na praça o papa preside às audiências gerais das quartas-feiras, a que assistem milhares de fiéis. Mas quando o clima não o permite, quer por excesso de frio ou calor, os encontros decorrem no salão Paulo VI. Antes da audiência, o papa percorre a praça no papamóvel para saudar de perto os fiéis. No adro, dominado lateralmente pelas estátuas monumentais de S. pedro e S. Paulo, é preparado o altar para as celebrações ao ar livre de algumas liturgias em dias solenes, como a missa do Domingo de Ramos e do Domingo da Páscoa.

Também na praça foram celebrados com grande participação do povo os funerais (que até então decorriam em privado) dos três últimos papas: Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II.



Imagem D.R.


Salão Paulo VI

Em tempos, os papas raramente apareciam em público. Após a segunda guerra mundial, com a afirmação da sociedade de massa e a facilidade das viagens, cada vez com maior frequência eram organizadas grandes audiência gerais pelos papas Pio XII e João XXIII com os fiéis. Só com o papa Paulo VI, a partir de 1963, o encontro torna-se semanal e é fixado ás quartas-feiras.

Por isso, o papa Montini decide fazer construir no Vaticano um grande auditório capaz de acolher 12 mil pessoas. O projeto é confiado em 1964 a Pier Luigi Nervi, um dos mais famosos projetistas do tempo. Nervi realiza um grande salão em cimento armado, sob um arco parabólico de dupla curvatura capaz de sustentar-se sem pilares, que a existir limitariam a visibilidade. A plateia tem uma curvatura em forma de concha, que favorece a vista e a acústica. Inaugurado em 1971, o salão foi completado em 1977 com a grandiosa escultura da “Ressurreição”, obra de Percile Fazzini, colocada atrás da sede do papa.

Anexo ao salão, está a mais pequena sala do Sínodo, onde normalmente se reúnem os sínodos dos bispos (como o mais recente, sobre os jovens, em outubro), e a assembleia geral da Conferência Episcopal Italiana.

As audiências gerais, quer na praça quer no salão, são sempre de acesso gratuito, mas é necessário marcá-las com larga antecipação, através do endereço https://bit.ly/2mujyOB.


 

Paolo Rappellino
In Famiglia Cristiana
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 20.05.2019

 

 
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