

D.R.O ensaísta Viriato Soromenho-Marques considera que a edição da “Obra Completa do Padre António Vieira”, que se concluiu esta quarta-feira, «sem atrasos», é sinal de que «o exemplo inspirador» do pregador jesuíta «continua a mover montanhas».
Em artigo de opinião publicado hoje no “Diário de Notícias”, o professor universitário realça que a equipa internacional de 52 peritos coordenada por José Eduardo Franco e Pedro Calafate conseguiu «reunir 15 000 páginas em 30 volumes, rigorosamente editados».
«Realizaram um sonho que foi tentado, e fracassado, por 15 vezes desde 1851», realça, acrescentando que desta forma «fica disponível, para o presente e para o futuro, a expressão plena de um dos maiores génios de sempre».
Viriato Soromenho-Marques recorda que Vieira (1608-1697) «propunha o recurso ao auxílio dos judeus portugueses, que a intolerância e a inveja tinham lançado para uma involuntária e cruel diáspora».
«Também nesta hora de risco existencial para Portugal, importa reiterar esse apelo à união ativa de todos os que amam o nosso país, vencendo preconceitos para nos podermos concentrar com método no que é essencial», salienta.
Guilhermina Gomes, do Círculo de Leitores, que publica a coleção, qualificou de «excelente» o número de sócios da editora que comprou a “Obra Completa” e os que, entretanto, se fizeram sócios para a poderem adquirir, refere a agência Lusa.
Para José Eduardo Franco, citado pelo jornal “Observador”, o Padre António Vieira continua, passados três séculos, a ensinar «a bem falar, bem escrever e bem comunicar a língua portuguesa», a par de ser «uma figura histórica anticrise», «frontal» e corajosa, por ter enfrentado «os homens do seu tempo».
«Ele tem aquilo que eu chamo uma espécie de património de crítica social e política, que ainda é pertinente para os dias de hoje», vincou o historiador.
Vieira lutou contra as desigualdades sociais, a opressão do trabalho escravo, criticou a existência de cidadãos de primeira e de segunda e «criticou as estruturas dominantes de corrupção, por exemplo no sermão do bom ladrão», assinalou José Eduardo Franco.
Rui Jorge Martins
D.R.