Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

O papa Francisco e os saltos do cavalo

No xadrez, uma das peças mais surpreendentes é o cavalo, que, saltando entre peões, torres e bispos, movimenta-se em forma de “L”, em trajetórias muitas vezes não fáceis de prever. Nestes dias, o papa Francisco tornou públicas novas decisões que, em certos aspetos, lembram o “salto do cavalo”, manifestando uma vivacidade e criatividade surpreendentes.

Refiro-me, antes de mais, à decisão de dirigir-se, em oração, à estátua de Nossa Senhora, em Roma, na manhã do dia da Imaculada Conceição. Antes, tinha sido anunciado oficialmente pela Sala de Imprensa da Santa Sé que não iria, para não criar ajuntamentos, e por respeito às normas sanitárias. O papa foi sozinho, deteve-se em silêncio alguns minutos, depôs um ramo de flores em honra de Maria, e prosseguiu para a basílica de Santa Maria Maior, onde celebrou a missa. Outro pequeno episódio do dia da Imaculada: ao regressar ao Vaticano, parou diante de uma patrulha de militares que cumpria a operação “Estradas seguras”, saudou-os um a um e ofereceu-lhes uma caixa de biscoitos, também neste caso suscitando grande admiração.

Reportando-me agora a decisões de alcance mundial, foi acolhido com grande alegria, mas também grande surpresa, o anúncio da visita apostólica ao Iraque, de 5 a 8 de março de 2021. Se as condições sanitárias o permitirem, Francisco irá aos lugares de onde Abraão partiu rumo à Terra Prometida, para encorajar a cada vez mais exígua comunidade cristã do Médio Oriente, e, muito provavelmente, para lançar novas pontes de diálogo com os referentes do mundo islâmico. Uma viagem que, não só por causa do Covid, não será nada fácil, e que exige uma coragem incomum, de que o papa Francisco deu prova em várias ocasiões. Recordamos todos a sua decisão de abrir a Porta Santa do Ano Jubilar da Misericórdia, em 2015, na catedral de Bangui, na República Centro-Africana.

Também no dia da Imaculada – e recordo aquela que poderá ser considerada uma terceira decisão surpreendente – foi apontado oficialmente o Ano Jubilar de S. José, a 150 anos da sua proclamação como “Protetor da Igreja”. É muito bela a carta apostólica “Patris corde” (“Com coração de pai”) com a qual o papa Francisco explica o significado dessa decisão e, simultaneamente, através de sete “definições”, relê de maneira muito eficaz e atualizadora a figura de S. José. É muito sugestiva a última deste septeto de declinações sobre o papel de S. José, definido como «pai na sombra»: «Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos que nunca é exercício de posse, mas “sinal” que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que “faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores”; e sombra que acompanha o Filho».

Três movimentos surpreendentes, à maneira do salto do cavalo. Que provocam todos – crentes, antes de todos, mas não só – a ter um pouco mais de criatividade, de espírito de iniciativa e de coragem.


 

Alessio Magoga
In SIR
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Nikkikii/Bigstock.com
Publicado em 11.12.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos