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O “melhor professor do mundo” é um padre franciscano: Mesmo onde menos se espera, «tudo é possível»

É um frade franciscano o melhor professor do mundo, vencedor do Global Teacher Prize, promovido pela Fundação Varkey, resultado obtido após as “finais” realizadas no fim de semana no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Peter Tabichi, 36 anos, ensina matemática e física numa escola secundária rural do Quénia. Filho de professores, é docente na Keriko Secondary School, próximo de Nakuru, na região árida do vale Rift, onde os problemas de subsistência estão na ordem do dia.

O irmão Peter, ou “professor Tabichi”, levou à sua escola um tal nível de entusiasmo, que a tornou a primeira a nível nacional entre as instituições públicas.

A ação do religioso não se limita ao horário das aulas. O ano passado acompanhou aos alunos à Feira de Ciência e Engenharia, para a qual realização um dispositivo que permite a cegos e surdos medir objetos.

Os estudantes também se qualificaram para participar com a equipa de ciência e matemática na Intel International Science and Engineering Fair de 2019 no Arizona, EUA.



«Este prémio não me reconhece, mas os jovens deste grande continente. Eu estou aqui graças, apenas, àquilo que os meus estudantes alcançaram. Este prémio dá-lhes uma possibilidade, diz ao mundo que tudo é possível. Como professor que trabalha na primeira linha, vi a promessa dos meus jovens, a sua curiosidade, o talento, a inteligência e a convicção»



Depois de explorarem a vegetação local para gerar eletricidade, utilizando pouca água, os estudantes do sacerdote também venceram o prémio da Real Sociedade de Química. E não ficaram por aqui.

Peter Tabichi criou um “clube para a paz”, onde jovens de diferentes etnias dialogam e discutem múltiplos temas, do desporto às arvores que plantam em conjunto. Um ensinamento que atravessa a vida, que emociona e entusiasma, ao mesmo tempo que se aproveita dos instrumentos da tecnologia e da didática mais modernos.

O texto de justificação da atribuição do prémio refere que o seu trabalho «levou a um crescimento das inscrições, à redução dos casos de violência entre alunos (“bullying”), ao aumento de inscrições na universidade, potenciando também a instrução das jovens».

O professor franciscano está otimista: «A África produzirá cientistas, engenheiros, empreendedores cujos nomes serão um dia famosos em qualquer lugar do mundo. E as jovens serão uma parte enorme desta história».

É a elas, aliás, que dedica o galardão: «Este prémio não me reconhece, mas os jovens deste grande continente. Eu estou aqui graças, apenas, àquilo que os meus estudantes alcançaram. Este prémio dá-lhes uma possibilidade, diz ao mundo que tudo é possível. Como professor que trabalha na primeira linha, vi a promessa dos meus jovens, a sua curiosidade, o talento, a inteligência e a convicção».

O prémio vai trazer consequências concretas: o milhão de dólares concedidos ao professor queniano vai ser investido em atividades didáticas nos territórios onde ensina. Serão, seguramente, bem usados por um sacerdote que já oferece 80 por cento do seu ordenado à comunidade do vale, e que tem como moto: «Para ser um bom professor, fala menos e faz mais».

Para selecionar o frade franciscano como vencedor, a organização do prémio tomou em consideração 40 mil professores de todo o mundo. Entre eles foram apurados 50 nomes, mais tarde reduzidos a uma dezena, que chegaram à final do Dubai. A escola, se é bem feira, é bela e constrói a vida.


 

Osvaldo Baldacci
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 25.03.2019

 

 
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