Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Nova secretária da Comissão Bíblica Pontifícia diz que presença feminina abre horizontes na Igreja

É uma mulher que dedicou apaixonadamente a sua vida aos estudos bíblicos. Docente de Antigo Testamento na Pontifícia Universidade Gregoriana, perita de longo curso de Sagrada Escritura, a espanhola Nuria Calduch-Benages, das Missionárias da Sagrada Família de Nazaré, também fez parte dos trabalhos da comissão de estudo sobre o diaconado da mulher. Na semana passada foi nomeada pelo papa para secretária da Comissão Bíblica Pontifícia.

Natural de Barcelona, entre pela primeira vez no organismo do Vaticano em 2014, tendo sido confirmada em janeiro para um novo quinquénio. Entre outras tarefas, é professora convidada no Instituto Bíblico Pontifício de Roma, colaboradora assídua da Federação Bíblica Católica, membro de relevo de revistas especializadas, bem como do conselho científico da revista “História das Mulheres” (Universidade dos Estudos de Florença) e da coleção “Teses e monografias”, da editora Verbo Divino. Em 2008 participou, como perita, no Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus.

 

Como acolheu a nomeação, e que relevância tem ser mulher nesta função?

Há duas palavras que podem resumir a minha reação. Por um lado, surpresa, porque nunca imaginei que receberia esta nomeação, e por outro gratidão para com todas as pessoas que confiaram em mim. Penso que a presença feminina nesta Comissão, como noutras, é um elemento positivo e significativo que abre horizontes na Igreja.

 

O que significou a experiência de ter participado na comissão de estudo sobre o diaconado da mulher?

Durante três anos, de 2016 a 2019, empenhei-me, juntamente com outros membros, no estudo do diaconado da mulher. E ainda que os resultados obtidos tenham sido considerados, em certos aspetos, parciais, a experiência vivida foi muito enriquecedora, quer do ponto de vista intelectual e eclesial, quer humano. Criámos entre nós relações de amizade e colaboração que permanecem. E isto considero-o um privilégio.

 

Qual é a contribuição específica que as mulheres podem dar ao estudar a Palavra de Deus?

A sua competência, os seus interesses e a sua perspetiva. Pense-se, por exemplo, no estudo das figuras bíblicas femininas, das suas narrativas, no uso de metáforas femininas, na hermenêutica feminista e em muitos outros aspetos. Há quarenta anos, quando as mulheres biblistas eram quase invisíveis, estas temáticas e aproximações à Escritura não eram contempladas nos ambientes bíblicos. Hoje, pelo contrário, são muito apreciadas por todos, homens e mulheres, e as publicações são cada vez mais numerosas.

 

Ensina Antigo Testamento. Débora, Ester, Judite… Que visão da Bíblia emerge destes textos?

Em algumas narrativas bíblicas, como as que citou, as mulheres aparecem como verdadeiras protagonistas da história de Israel, com uma missão importante a realizar em favor do povo. Noutras, pelo contrário, são meros instrumentos do poder masculino. Noutras, ainda, são totalmente silenciadas pelos autores. Por isso as suas histórias não são narradas e, portanto, não podemos escutar a sua voz. Esta é a nossa principal dificuldade. Além disso, os textos bíblicos – não o esqueçamos – são muito antigos, nos quais a mulher é descrita segundo os arquétipos de cada época e segundo a ótica androcêntrica dos autores.


 

Debora Donnini
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Nuria Calduch-Benages | D.R.
Publicado em 16.03.2021

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos