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Muitos dizem-se católicos mas exploram os trabalhadores: «É pecado mortal», adverte papa

A hipocrisia dos cristãos, que à aparência de o serem opõem, conscientemente, comportamentos que contradizem frontalmente o que dizem ser, esteve hoje no centro da homilia proferida pelo papa na missa a que presidiu, no Vaticano.

«Muitos cristãos, inclusive católicos, que se dizem católicos praticantes, como exploram as pessoas. Como exploram os operários», lamentou Francisco, que deu o exemplo dos patrões que, para manterem a precariedade dos assalariados, despedem-nos durante determinado tempo, para depois os voltarem a contratar.

O papa sublinhou as consequências que essa prática disseminada em Itália tem nos trabalhadores: «[Os patrões] mandam-nos [os empregados] para casa no início do verão, para voltar a ficarem com eles no fim [da estação]; assim não têm direito à reforma, não têm direito a seguir em frente», referência à insegurança causada nos empregados pela fragilidade do vínculo contratual.

«E muitos destes [patrões] dizem-se católicos: vão à missa ao domingo, mas fazem isto. E isto é pecado mortal. Quantos humilham os seus operários», vincou, dando continuidade ao ensinamento social da Igreja.

Estes comportamentos enquadram-se na atitude geral dos cristãos que «procuram as aparências» e «nunca se reconhecem pecadores»: «Se tu lhes dizes: “Tu também és pecador”, respondem: «Sim, pecados todos temos».

«Relativizam tudo e voltam a tornar-se justos. Procuram aparecer com cara de pagela, de santinho; tudo aparência. E quando há esta diferença entre a realidade e a aparência, o Senhor usa um adjetivo: “Hipócrita”», vincou o papa.

O tempo da Quaresma, que começou esta quarta-feira, é propício à mudança de atitudes, com vista a redescobrir a virtude de uma realidade «que deve estar unida à aparência», que não «maquilhe a alma».

Atente-se, por exemplo, no jejum, que com a oração e a esmola constituem atitudes a viver com maior intensidade durante os 40 dias de preparação para a Páscoa: «Quanto tu divides o teu pão com o faminto, introduzes em tua casa alguém que não tem um teto ou que é um migrante, quando procuras roupa para alguém que não a tem e te ocupas disto, então jejuas verdadeiramente».

«Peçamos ao Senhor a graça de sermos coerentes, de não sermos narcisistas, de não aparecermos mais dignos do que aquilo que somos. Peçamos esta graça, nesta Quaresma: a coerência entre o formal e o real, entre a realidade e as aparências», concluiu.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: D.R.
Publicado em 08.03.2019

 

 
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