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Morreu o cardeal cubano que pediu aos EUA o fim do embargo e denunciou a falta de liberdade religiosa

Um orgulhoso cubano que fez pressão para obter maior liberdade para a Igreja, e pelo fim do embargo dos EUA à sua terra natal: o cardeal Jaime Ortega Alamino, arcebispo emérito de Havana, faleceu hoje, aos 82 anos, após longa batalha contra o cancro. Ao servir como pastor da arquidiocese durante quase 35 anos, assumiu um papel proeminente na sociedade, tornando-se porta-voz dos católicos cubanos nas delicadas questões políticas e sociais que envolveram o país a nível nacional e internacional.

D. Ortega passou oito meses num campo de trabalho sob o regime do governo comunista, em 1966-67, e mais de duas décadas depois recebeu os papas São João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2015 e 2016).

O prelado recorreu a todas as oportunidades para pedir ao governo dos EUA para terminar o bloqueio económico da ilha, ecoando a posição de sucessivos papas de que o cerco mantinha milhares de pessoas na pobreza, ao mesmo tempo que era pouco eficaz enquanto forma de pressionar o governo cubano a ampliar as liberdades e os direitos humanos.

Em 2014, quando ficou claro que Barack Obama poderia aliviar o embargo, o papa Francisco deu duas cartas a D. Ortega, pedindo-lhe para entregar uma a Raus Castro e a outra ao presidente dos EUA.



Ao mesmo tempo que se esforçou para que as igrejas fossem restauradas e reabertas na capital cubana, D. Ortega encorajou a prática de as pessoas acolherem encontros de oração nas suas casas



«Foi uma maneira de os pôr em contacto», afirmou o prelado. «Foi o desejo do santo padre. As pessoas têm comunicar entre si. Ele não foi um mediador entre duas nações ou dois governos, mas queria colocar os dois presidentes em contacto.»

Como figura pública, o cardeal também dedicou muita energia a pressionar o governo cubano a permitir que a Igreja católica em Cuba tivesse voz pública e a contribuir para servir os pobres. os pobres são a Igreja Católica em Cuba.

«Há três liberdades: oração, liberdade profética (educação religiosa) e serviço. Quando temos as três liberdades, temos liberdade de religião», mas em Cuba «só temos uma», afirmou, em 1997.

Para terem verdadeira liberdade religiosa, os católicos cubanos precisariam «de ter a possibilidade de comunicar com as pessoas sobre a sua fé através da rádio ou televisão, a possibilidade de terem escolas católicas ou ensinar religião em escolas públicas, o direito a ter hospitais administrados pela Igreja».

Ao mesmo tempo que se esforçou para que as igrejas fossem restauradas e reabertas na capital cubana, D. Ortega encorajou a prática de as pessoas acolherem encontros de oração nas suas casas. Aos poucos, explicou, os vizinhos começam a participar, e depressa o Evangelho se espalha. Contornava, assim, as limitações de acesso da Igreja aos espaços públicos, acreditando que, tal como no cristianismo das origens, a Boa-nova haveria de se difundir através do contacto pessoa a pessoa, e mediante o serviço.



«Do ponto de vista humano, foi atroz, talvez, se considerado exteriormente. Mas tudo tem que ser visto – na fé nós vemos tudo dessa maneira – à luz de Deus. Se Deus quis que isso acontecesse, o que é que Ele quis disso?»



«Há muros, toda a espécie de muros, más memórias do passado que têm também de ser derrubadas, e é assim que o vamos fazer», apontou.

Depois de frequentar o seminário em Cuba e no Québec, Ortega foi ordenado padre em 1964. A sua primeira missão pastoral foi interrompida entre 1966 e 1967, no campo de detenção, vivência de que pouco falou publicamente, até 2014, quando sublinhou que tinha sido «uma experiência de vida única para um padre», que o tinha colocado «no meio do povo».

«Do ponto de vista humano, foi atroz, talvez, se considerado exteriormente. Mas tudo tem que ser visto – na fé nós vemos tudo dessa maneira – à luz de Deus. Se Deus quis que isso acontecesse, o que é que Ele quis disso?», observou.

Depois de ter sido libertado, trabalhou simultaneamente em várias paróquias, devido à grave falta de padres em Cuba. Acompanhou jovens, incluindo em campos de verão e grupos de teatro, e ensinou Teologia Moral.

Foi nomeado bispo em 1978, por S. João Paulo II, em arcebispo de Havana em 1981. Foi feito cardeal em 1994.


 

In Crux
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 26.07.2019

 

 
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