

Capa (det.) | D.R.Não foi certamente por acaso que recentemente a etiqueta da Rádio Bávara lançou quase em simultâneo duas caixas dedicadas ao "Oratório de Natal", de Bach, e ao "Messias", de Georg Friedrich Händel (1685-1759).
Se a obra-prima do primeiro é sem dúvida a banda sonora mais apropriada para as grandes festividades que coroam o Tempo do Advento, a monumental oratória do segundo representa a partitura que celebra na sua integralidade a figura do Redentor e a sua progressiva revelação através da sua vinda (primeira parte), paixão, morte e ressurreição (segunda, selada pelo celebérrimo "Hallelujah") e o seu definitivo regresso (terceira parte).
São estas as coordenadas narrativas ao longo das quais se dispõe o coro das Bayerischen Rundfunks e a orquestra B'Rock - Belgisches Barockorchester Gent -, numa gravação ao vivo dirigida por Peter Dijkstra, jovem mas corajoso maestro com forte vocação coral, que no "Messiah" de Händel encontra o estímulo certo para conduzir a extraordinária formação vocal bávara à altíssima expressividade e intensa dramaticidade.
Por outro lado, com a variedade de árias oferecem uma grande oportunidade a cada um dos quatro solistas: ao tenor, Steve Davislim, cabe a virtuosa "Ev'ry Valley", à soprano, Julia Doyle, a encantadora "I know that my Redeemer liveth", ao baixo, Neal Davies, a apocalíptica "The trumpet shall sound", mas sobretudo ao contratenor, Lawrence Zazzo, a esplêndida e celestial "He was despised".
Logo após a cantora Susannah Cibber ter terminado a interpretação deste último trecho de grande fascínio e forte sugestão, aquando da estreia da Oratória, ergueu-se do público presente na sala um grito emocionado: «Mulher, por isto todas as tuas culpas te são perdoadas».
Andrea Milanesi
Capa | D.R.