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Manuscrito de monges considerado o maior tesouro cultural da Irlanda está agora disponível na internet

É verdade que não será a mesma coisa que admirá-lo nas antigas salas da biblioteca do colégio Trinity de Dublin, mas desde hoje uma das mais importantes obras religiosas da Alta Idade Média, considerado o maior tesouro cultural da Irlanda, passou a poder ser admirado pela Internet.

Uma versão digital do lendário Livro de Kells, o manuscrito iluminado realizado por monges irlandeses entre os séculos VI e IX, está disponível na página da mais prestigiada universidade do país.



Imagem D.R.

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Imagens em alta resolução, obtidas com as técnicas digitais mais avançadas, permitem admirar cada página da obra-prima, mesmo no mais pequeno detalhe. Há também uma versão para equipamentos iPad e Android que pode ser descarregada.

A obra terá sido iniciada na abadia da ilha de Iona, na costa ocidental da Escócia, pelos monges de Saint Columba, e concluída em Kells, a pouca distância de Dublin, onde a comunidade monástica encontrou refúgio após a invasão viking de Iona. Mas este percurso não reúne consenso.



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O “Leabhar Cheanannais” – o seu nome em irlandês – contém os quatro Evangelhos escritos em latim, os prefácios, os sumários, as tabelas de referência numéricas (os chamados Cânones Eusebianos) e parte de um glossário, que fornece a interpretação dos nomes próprios hebraicos.

Trata-se de um manuscrito sumptuoso, inteiramente redigido e latim e decorado à mão, que na antiguidade era usado em celenrações públicas. Quase todos os fólios são iluminados e ilustrados. No total são 340 folhas de pergaminho, com uma caligrafia clara e arredondada. Infelizmente está incompleto, tendo-se perdido para sempre cerca de 30 fólios.


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Numa época em que a Europa enfrentava as mais terríveis invasões bárbaras, e o cristianismo se espalhava graças à adoção da língua vernacular, o latim arriscava-se a desaparecer para sempre da tradição oral. O contributo dado pelos monges irlandeses na salvação do idioma foi decisivo, e o “Book of Kells” representa o mais alto dos testemunhos.

Há pouco mais de três séculos, a obra foi posta a salvo num lugar secreto, para o poupar às incursões dos exércitos de Oliver Cromwell, que estavam a pôr o país a ferro e fogo.

No que respeita à origem geográfica do manuscrito, os investigadores dividem-se há muito. Segundo alguns, poderia ter sido redigido inteiramente em Iona, enquanto que outros situam a criação no norte da Inglaterra, talvez em Lindisfarne. Só depois teria sido transportado para Iona, e daí para Kells.

O Livro de Kells passou a estar guardado na biblioteca do colégio Trinity a partir de 1661. Foi restaurado após a segunda guerra mundial.


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Riccardo Michelucci
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 28.03.2019

 

 

 
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